Exército Brasileiro executa prisão de militares condenados por tentativa de golpe
Nesta sexta-feira (10), o Exército Brasileiro efetuou a prisão de três militares que fazem parte do grupo de sete condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no núcleo 4 da trama golpista. Entre os detidos está o major da reserva capixaba Angelo Martins Denicoli, sentenciado a 17 anos de prisão em regime inicial fechado.
Operação de prisão em Colatina
Major Denicoli foi preso em sua residência, localizada no bairro Noemia Vitali, em Colatina, no Noroeste do Espírito Santo, por volta das 6 horas da manhã. O militar cumpria prisão domiciliar desde dezembro, após decisão do ministro Alexandre de Moraes. Ele foi acusado de disseminar notícias falsas com o objetivo de criar instabilidade institucional e favorecer uma tentativa de golpe de Estado.
Após a detenção, Denicoli foi conduzido ao 38° Batalhão de Infantaria do Exército Brasileiro, em Vila Velha, na Grande Vitória, onde cumprirá sua pena. O local fica a aproximadamente 140 quilômetros de distância de sua residência em Colatina.
Outros militares presos e situação dos condenados
Além do major Denicoli, também foram presos nesta sexta-feira o subtenente Giancarlo Rodrigues e o tenente-coronel Guilherme Almeida. Ambos cumprirão pena no Batalhão do Exército em Brasília, conforme determinação das autoridades.
Dos sete réus condenados no núcleo 4, um encontra-se foragido: o coronel Reginaldo Abreu, que está nos Estados Unidos. A Procuradoria Geral da República (PGR) apontou que os integrantes deste núcleo utilizaram a estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para espionar adversários políticos, criar e espalhar informações falsas contra o processo eleitoral, instituições democráticas e autoridades que ameaçavam os interesses golpistas.
Trajetória do major Denicoli
O major Angelo Martins Denicoli é morador de Colatina, formado pela Academia Militar das Agulhas Negras. Ele ocupou cargo de direção no Ministério da Saúde durante a gestão de Eduardo Pazuello, período em que promoveu ataques e disseminou informações falsas sobre a Covid-19 e as medidas sanitárias da pandemia.
Em fevereiro de 2024, Denicoli foi alvo da operação "Tempus Veritatis" da Polícia Federal, por suposta ligação à tentativa de golpe de Estado e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito nos ataques de 8 de janeiro de 2023. Cerca de uma semana depois, foi exonerado do cargo de assessor especial que ocupava na Companhia de Processamento de Dados de São Paulo (Prodesp).
O indiciamento do major pela Polícia Federal ocorreu em novembro de 2024, junto a outros 37 nomes, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e ex-integrantes de seu governo. Denicoli foi o único capixaba apontado nas investigações.
Posicionamento da defesa e aspectos legais
A defesa do major Denicoli manifestou-se contrariamente à prisão, argumentando que ainda há recurso pendente de julgamento com fundamento na Constituição Federal, no Código de Processo Penal e no Regimento Interno do STF. O advogado Edson Fontes afirmou que se trata de "medida extremamente gravosa, implementada antes do exaurimento das vias processuais cabíveis".
Conforme estabelecido, militares da ativa possuem o direito de cumprir prisão provisória ou pena em estabelecimento militar, e não em presídios civis. A custódia é, portanto, de responsabilidade da própria Força, frequentemente em unidades da Polícia do Exército. Por essa razão, a prisão dos três militares foi executada pelo Exército Brasileiro, e não pela Polícia Federal.
A lista completa dos condenados no núcleo 4 inclui:
- Ângelo Denicoli, major da reserva do Exército
- Reginaldo Abreu, coronel do Exército (foragido nos Estados Unidos)
- Marcelo Bormevet, agente da Polícia Federal (já preso desde 2024)
- Giancarlo Rodrigues, subtenente do Exército
- Ailton Moraes Barros, ex-major do Exército
- Carlos César Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal (foragido no Reino Unido)
- Guilherme Almeida, tenente-coronel do Exército



