Ex-presidente do Rioprevidência é preso por suspeita de fraude com o Banco Master
A Polícia Federal prendeu temporariamente o advogado Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rioprevidência, na terça-feira (3), após seu retorno de uma viagem aos Estados Unidos. A prisão foi determinada pela juíza federal Katia Maria Maia de Oliveira, da 6ª Vara Federal Criminal, com base em suspeitas de fraude envolvendo o Banco Master e ações de obstrução às investigações.
Destruição de provas e manipulação de imagens
Um dos principais motivos para a prisão foi a suspeita de que um grupo liderado por Deivis destruiu imagens do circuito interno de câmeras do prédio onde ele reside, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A PF descobriu que, após buscas em seu apartamento em 23 de janeiro, as imagens de segurança fornecidas pela empresa responsável eram apenas de dois dias de dezembro, e não dos 30 dias solicitados.
Investigadores constataram que o sistema de segurança possuía três senhas de administrador que permitiam apagar imagens remotamente. A PF considerou atípico que, além da empresa, Deivis e o porteiro do prédio tivessem acesso a essas senhas, facilitando a eliminação de evidências.
Apartamento adicional e trânsito de documentos
Outro elemento que chamou a atenção da PF foi a descoberta de que Deivis alugou um apartamento no andar abaixo do seu, alegando aos vizinhos que seria uma "área de recreação para seu filho". Na realidade, o imóvel era ocupado pelos irmãos gêmeos Rodrigo e Rafael Schmitz, que também foram presos.
A perícia da PF recuperou imagens mostrando os irmãos retirando itens do apartamento alugado e os levando para o veículo da sogra de Deivis na garagem do prédio. Além disso, houve um trânsito incomum de documentos entre os dois apartamentos, incluindo uma caixa de arquivos, indicando possível manipulação de provas relacionadas ao caso.
Investigação sobre operações financeiras irregulares
A PF investiga um conjunto de nove operações financeiras realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, nas quais o Rioprevidência aplicou aproximadamente R$ 970 milhões em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master. Essas operações são consideradas irregulares e expuseram o patrimônio da autarquia a riscos elevados.
O Banco Master está em liquidação extrajudicial desde novembro, após o Banco Central apontar insolvência e suspeitas de fraude. A PF apura gestão fraudulenta, créditos falsos e lavagem de dinheiro envolvendo a instituição financeira.
Impacto no Rioprevidência e próximos passos
O Rioprevidência é responsável pelo pagamento de benefícios previdenciários a 235 mil servidores do Rio de Janeiro e seus dependentes. A defesa de Deivis não se pronunciou até o momento, e o g1 não localizou os advogados dos irmãos Schmitz. A Justiça Federal considerou que as evidências eram suficientes para a prisão temporária, devido ao risco de interferência nas investigações em andamento.