Ex-prefeito de Chácara é considerado foragido pela Justiça em Minas Gerais
O ex-prefeito de Chácara, Emerson Damião Duque, é oficialmente considerado foragido pela Justiça mineira. Ele é um dos principais alvos da operação 'Prenda-me se for capaz', que investiga uma organização criminosa altamente organizada atuante em Juiz de Fora e região.
Esquema criminoso sofisticado e multifacetado
Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Duque liderava um esquema criminoso que operava com exploração de jogos de azar, prostituição e lavagem de dinheiro de forma contínua e sofisticada. O grupo mantinha mecanismos elaborados para obstrução da Justiça, visando impedir investigações e perpetuar atividades ilícitas.
Até a tarde de sexta-feira (13), o ex-prefeito não havia sido localizado pelas autoridades, permanecendo foragido. O MPMG emitiu mandado de prisão contra ele, mas sua localização ainda é desconhecida.
Rede de colaboradores e obstrução à Justiça
Além de Emerson Damião Duque, a investigação envolve outros indivíduos que desempenhavam papéis específicos na organização:
- Eider Cunha Tavares, advogado detido na última segunda-feira (9), atuava como 'elo estratégico e colaborador ativo', utilizando seus conhecimentos jurídicos para orientar obstruções, incluindo a elaboração de denúncias falsas e aconselhamento sobre como evitar a produção de provas.
- Carlos Leonardo Zamblute Martins, policial militar preso e já condenado por associação com traficantes em crimes de extorsão e agiotagem, vazava informações sigilosas para o ex-prefeito sobre operações policiais que tinham o grupo como alvo.
- Washington Elias Silva é apontado como braço operacional essencial na estratégia de obstrução do grupo, suspeito de participar de denúncias falsas contra um sargento da PM.
- Lucas Pereira Tavares é acusado de vazar informações sobre a Operação 'Lansky' e manter um grupo de conversa por aplicativo para compartilhamento de dados sigilosos sobre ações policiais.
Histórico do ex-prefeito e atuação do grupo
Conforme a denúncia do Ministério Público, Emerson Damião Duque assumiu a liderança da organização criminosa em dezembro de 2020. O ex-prefeito, que comandou o Executivo de Chácara entre 2017 e 2020, se valia de informantes policiais que lhe repassavam informações confidenciais sobre operações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Em 2016, Duque foi condenado em primeira instância por prática de abuso de poder econômico e captação ilícita de votos referentes à eleição municipal, demonstrando um histórico de envolvimento com atividades ilícitas.
Posicionamento das instituições envolvidas
A Polícia Militar informou que o policial Carlos Leonardo Zamblute Martins está preso e que encontra-se em andamento o processo administrativo demissionário contra ele. Já a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subseção Juiz de Fora, declarou que, em respeito às suas atribuições legais, não se manifesta acerca de processos judiciais ou investigações policiais em curso, optando por não comentar a situação do advogado Eider Cunha Tavares.
O g1 entrou em contato com as defesas de todos os citados, mas, até a publicação desta reportagem, nenhuma delas havia se manifestado sobre as acusações. A operação continua em andamento enquanto as autoridades buscam localizar o ex-prefeito foragido e desmantelar completamente a organização criminosa.



