Ex-gerente do Banco do Brasil, marido e 'laranja' são denunciados por desvio milionário em Roraima
Uma ex-gerente de serviços do Banco do Brasil, seu marido e uma mulher identificada como "laranja" foram denunciados pelo Ministério Público de Roraima por desviarem mais de R$ 5,2 milhões dos cofres da instituição financeira. O caso ocorreu na agência de Caracaraí, no sul do estado, e envolveu uma sofisticada operação de fraude que durou cerca de dois anos.
Tentativa desesperada de ocultar o crime durante auditoria
Em junho de 2022, durante uma auditoria surpresa na agência bancária, a ex-gerente Daura Souza Rodrigues tomou uma medida extrema para tentar esconder o desvio milionário. Desesperada com a iminente verificação dos saldos, ela acessou o compartimento técnico de informática e desconectou propositalmente os cabos de internet, fazendo com que todo o sistema da agência saísse do ar.
A ação impediu que os auditores pudessem comparar os valores físicos presentes no cofre com os registros digitais do banco. No entanto, a sabotagem foi completamente registrada pelo circuito interno de câmeras de segurança, que capturou todos os movimentos da ex-funcionária.
Esquema criminoso com depósitos fantasmas e contas de fachada
Segundo a denúncia do Ministério Público, o esquema funcionava da seguinte maneira:
- Daura utilizava suas próprias senhas e as do gerente-geral da agência para inserir informações falsas no sistema bancário
- Ela realizava "depósitos fantasmas", simulando a entrada de dinheiro físico que nunca existiu
- O dinheiro era usado para pagar boletos pessoais e comerciais da quadrilha
- Os valores eram creditados diretamente nas contas do marido, Paulo José Assis de Souza, e da suposta laranja, Kellyane Saraiva Gomes Silva
O marido de Daura é apontado pelo MP como o mentor intelectual do esquema criminoso, que operou entre 2020 e 2022.
Patrimônio de luxo financiado com dinheiro público
Para ocultar a origem ilícita dos mais de R$ 5,2 milhões desviados, o grupo utilizou contas de passagem e empresas de fachada. A principal delas, D'Goold Empreendimentos Ltda, pertencia a Paulo e funcionava dentro da própria fazenda do casal.
O dinheiro furtado foi convertido em um patrimônio considerado "de luxo" pelo Ministério Público, completamente incompatível com a renda declarada pelos denunciados. Entre os bens adquiridos estão:
- Sete terrenos urbanos em Caracaraí
- Aeronaves de pequeno porte
- Gado para atividades agropecuárias
- Carros de luxo
Pedido de sequestro de bens e valores milionários
Junto com a denúncia, o Ministério Público de Roraima pediu à Justiça o sequestro de bens, imóveis e valores das contas bancárias dos três envolvidos até o limite de R$ 19.022.048,61.
Este valor inclui:
- A restituição integral do montante desviado, que atualizado com juros e correção monetária desde 2022 supera os R$ 9 milhões
- O pagamento de uma indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos
Os três foram denunciados pelos crimes de peculato-furto, lavagem de dinheiro e associação criminosa. O Banco do Brasil informou que as investigações tiveram início após a identificação de irregularidades em apuração interna, e que a instituição está colaborando integralmente com as autoridades.



