Ex-chefe do Banco Central atuava como 'empregado' de banqueiro Vorcaro, revela investigação da Polícia Federal
Belline Santana, antigo chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, operava de maneira informal como "uma espécie de empregado e consultor" do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para questões relacionadas à autarquia federal. A acusação grave integra a nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira, 4 de março de 2026, pela Polícia Federal.
Medidas restritivas e prisão em operação de grande impacto
As investigações resultaram na imposição de medidas cautelares severas contra Belline Santana, incluindo o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica e a proibição expressa de contatar outros indivíduos investigados no mesmo processo. Paralelamente, Daniel Vorcaro foi preso na manhã desta quarta-feira, em ação coordenada que contou com autorização do ministro André Mendonça, novo relator do caso no Supremo Tribunal Federal.
Os mandados judiciais foram fundamentados em um documento robusto de 48 páginas, no qual a Polícia Federal detalha que Belline "também foi instado por Vorcaro a emitir opinião sobre um ofício que o Banco Master enviaria ao Departamento que ele próprio chefiava no BACEN". Essa revelação sugere um conflito de interesses significativo, com o ex-funcionário de alto escalão prestando consultoria privada sobre assuntos diretamente ligados à sua função pública anterior.
Contexto da Operação Compliance Zero e suas implicações
A Operação Compliance Zero, que agora avança para uma fase mais ampla, tem como foco central investigar supostas irregularidades e possíveis esquemas de corrupção envolvendo instituições financeiras e órgãos reguladores. A atuação de Belline Santana, conforme alegado pela PF, exemplifica uma suposta interferência indevida nos processos de supervisão bancária, levantando questões críticas sobre a integridade e a transparência das relações entre o setor privado e o poder público.
As acusações contra Belline incluem a realização de consultas frequentes a Vorcaro sobre temas pertinentes ao departamento que ele liderava no Banco Central, configurando uma relação profissional atípica e potencialmente ilegal. Essas atividades, segundo as autoridades, podem ter comprometido a isenção necessária para o exercício de cargos de fiscalização no sistema financeiro nacional.
O caso continua sob intenso escrutínio, com expectativa de novas informações e desenvolvimentos nas próximas horas, à medida que a Polícia Federal e o Ministério Público aprofundam as investigações. A situação destaca a importância de mecanismos robustos de controle e compliance para preservar a credibilidade das instituições financeiras e regulatórias do país.



