Deputada paraense conquista vitória no TSE e abandona MDB após acusações de perseguição
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizou, na noite de terça-feira, 3 de março de 2026, a deputada federal Alessandra Haber (MDB-PA) a deixar o partido sem sofrer a pena de perda do mandato. A decisão judicial foi baseada em alegações de perseguição e discriminação praticadas contra a parlamentar pelo próprio grupo partidário, em um caso que envolve disputas políticas no estado do Pará.
Contexto político e acusações de retaliação
Alessandra Haber, que foi a deputada mais votada do Pará nas eleições de 2022, é casada com o prefeito de Ananindeua, Daniel Santos, originalmente eleito pelo MDB em 2020, mas que migrou para o PSB para disputar a reeleição em 2024. Segundo a deputada, essa mudança partidária do marido desencadeou uma série de retaliações contra ela dentro do MDB.
A parlamentar afirma que foi removida de cargos em comissões da Câmara dos Deputados, incluindo a importante Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), considerada um dos colegiados mais poderosos da Casa. Além disso, ela relata ter sido excluída de reuniões partidárias, em uma estratégia que visava pressioná-la a abandonar o partido.
Envolvimento do governador Helder Barbalho
As hostilidades, de acordo com Alessandra, teriam partido do grupo político do governador do Pará, Helder Barbalho, aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pré-candidato ao Senado em 2026. Ela acusa especificamente a ala barbalhista do MDB de tê-la substituído na CCJ pela deputada federal Elcione Barbalho, que é mãe do atual governador paraense.
Outro fator que pode ter motivado as discriminações é a pré-candidatura do marido de Alessandra, Daniel Santos, ao governo do Pará em 2026. Uma pesquisa Real Time Big Data divulgada em fevereiro indicava que o prefeito de Ananindeua estava entre os favoritos para o cargo, tecnicamente empatado na liderança com Hana Ghassan, vice-governadora apoiada por Helder Barbalho.
Decisão do TSE reconhece perseguição política
Na decisão publicada, o TSE negou as acusações de exclusão de Alessandra das reuniões partidárias, mas reconheceu que a parlamentar foi barrada de comissões como forma de retaliação à manobra de Daniel Santos. O objetivo, segundo o tribunal, era pressioná-la a deixar o partido e, consequentemente, perder o cargo.
"O conjunto sequencial dos fatos revela perseguição política e pessoal e desprestígio institucional aptos a tornar insustentável a manutenção do vínculo partidário", afirmou a ministra relatora Estela Aranha em seu voto. A decisão judicial destacou a insustentabilidade da situação para a deputada, legitimando sua saída do MDB.
Reação da deputada e celebração da vitória
Após a sessão do TSE, Alessandra Haber celebrou a decisão com um vídeo publicado em suas redes sociais. Na publicação, ela afirmou que a Justiça "reconheceu a perseguição da ditadura Barbalho" contra ela, utilizando termos fortes para descrever o conflito político que enfrentou.
Este caso ilustra as tensões internas dentro do MDB no Pará, envolvendo figuras proeminentes da política local e nacional. A vitória de Alessandra no TSE não apenas permite sua desfiliação sem penalidades, mas também coloca em evidência as disputas de poder que podem influenciar as eleições estaduais de 2026.



