CPI da Saúde em Sorocaba encerra sem ouvir denunciados e relatório vai ao MP-SP
A CPI da Saúde de Sorocaba (SP), aberta para investigar escândalos de corrupção no setor de saúde do município, encerrou oficialmente seus trabalhos nesta quinta-feira (12), sem ter ouvido os principais denunciados no caso. O comunicado de encerramento foi lido pela relatora Cristiana Passos, do partido Republicanos, em sessão na Câmara Municipal, marcando o fim de uma investigação que começou em dezembro de 2025 sob forte pressão popular.
Relatório final e encaminhamento ao Ministério Público
O relatório final da CPI, que foi aprovado com protestos da oposição, será agora encaminhado ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP). A decisão ocorre mesmo sem a realização de depoimentos dos investigados ou análises mais aprofundadas dos fatos, levantando críticas sobre a efetividade da comissão. A CPI foi instaurada após uma investigação da Polícia Federal que apontou um suposto esquema de corrupção na Prefeitura de Sorocaba, o que levou ao afastamento do então prefeito Rodrigo Manga, também do Republicanos.
Aprovação de novos cargos de assessores na Câmara
Em paralelo ao encerramento da CPI, a Câmara de Sorocaba aprovou, em votação separada, um projeto que cria o quinto cargo de assessor parlamentar para cada vereador. A medida foi aprovada com 20 votos a favor e cinco contra, aumentando o número total de assessores de 100 para 125. Os novos cargos terão salários que podem chegar a R$ 12 mil cada, com um custo estimado de mais de R$ 16 milhões aos cofres públicos nos próximos três anos.
Um levantamento do g1 apontou que, com esse valor, seria possível construir duas novas unidades de saúde ou adquirir 34 UTIs móveis, o que gerou debates sobre as prioridades do legislativo municipal. A votação contou com apoio majoritário de vereadores de partidos como Republicanos, Solidariedade, Agir, PSD, Podemos, PP, PT, União e PL, enquanto a oposição, representada por Psol, MDB e parte do PL, votou contra.
Impactos e reações
O encerramento da CPI sem a oitiva dos denunciados e a aprovação dos novos cargos de assessores ocorrem em um contexto de tensão política em Sorocaba, refletindo desafios na gestão pública e na transparência das investigações. Esses eventos destacam questões críticas sobre a eficácia das comissões parlamentares e o uso de recursos públicos, com potencial para influenciar futuras discussões sobre corrupção e administração municipal na região.



