Contrato milionário entre escritório de Ibaneis e fundo do Master motiva denúncia ao STF
O escritório de advocacia do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), teria vendido os honorários de uma ação no valor total de 38,1 milhões de reais a um fundo de investimento ligado à Reag, uma gestora de investimentos que teria sido fundamental na operacionalização da fraude do Banco Master e que também é suspeita de gerir fundos usados pela facção criminosa PCC para lavagem de dinheiro.
Operação ocorreu em maio de 2024
A operação entre a Reag Legal Claims e a Ibaneis Advocacia e Consultoria teria se dado em maio de 2024, período em que o BRB, banco distrital de Brasília, já estava comprando ativos do Banco Master. A informação foi inicialmente publicada pelo jornal O Globo e posteriormente confirmada pela revista VEJA, levantando questões sobre a transparência e a legalidade do negócio.
Deputado distrital protocola denúncia no Supremo Tribunal Federal
Diante da revelação, o deputado distrital Fábio Félix (PSOL) enviou um ofício ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, solicitando a investigação da ligação entre o governador e a Reag ou outros fundos ligados ao Master. No documento, Félix argumenta que é necessário verificar se o valor recebido pelo escritório de Ibaneis é condizente com a operação, sugerindo possíveis irregularidades.
O ofício foi protocolado na petição que investiga as fraudes do banco de Daniel Vorcaro, que tramita em sigilo na Corte, indicando que o caso pode ter ramificações significativas no âmbito judicial e político.
Movimento por CPI no Distrito Federal ganha força
O surgimento de mais um indício que liga o Master a autoridades esquentou o movimento que pede a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso. Há iniciativas do tipo tanto na Câmara dos Deputados quanto na Câmara Legislativa do Distrito Federal, onde deputados distritais do PL e do PSOL protocolaram requerimentos com o mesmo objetivo, pressionando por uma apuração mais aprofundada.
A reportagem entrou em contato com a assessoria de Ibaneis Rocha para obter um posicionamento sobre as acusações. Caso haja resposta, o texto será atualizado com as informações fornecidas, mas até o momento, não houve manifestação oficial que esclareça os detalhes do contrato ou negue as suspeitas.
Este caso destaca a complexidade das relações entre o setor público e entidades financeiras, especialmente em meio a escândalos de corrupção e lavagem de dinheiro, reforçando a necessidade de transparência e fiscalização rigorosa para preservar a integridade das instituições.



