Uma inspeção realizada por um grupo de autoridades na cela onde está preso Filipe Martins, ex-assessor da Presidência da República durante o governo de Jair Bolsonaro, concluiu que o espaço é "perfeitamente adequado". A vistoria ocorreu na Casa de Custódia Hildebrando de Souza, em Ponta Grossa, no Paraná, e contou com representantes do Ministério Público, da Secretaria de Segurança Pública do estado e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Condições da cela consideradas adequadas
O promotor Antonio Juliano Albanez, do Ministério Público do Paraná, afirmou que, em termos de estrutura e saneamento, Martins foi alocado em um espaço que atende aos parâmetros mínimos para uma pessoa privada de liberdade. "Ele está em um local perfeitamente adequado", declarou o promotor, que também conversou com o preso durante a visita.
Relato do ex-assessor durante a inspeção
Segundo Albanez, Filipe Martins não relatou nenhum problema durante a conversa. "Nós tivemos uma conversa com ele, que relatou que está sendo bem atendido", disse o promotor. "Nenhuma dificuldade com alimentação, com acesso à medicação, com acesso à visitação e aos advogados", completou, enfatizando que o ex-assessor está em condições satisfatórias.
Detalhes da cela individual
A cela onde Martins está detido possui 6 metros quadrados e inclui banheiro individual, chuveiro, um beliche, mesa e cadeira. O ex-assessor também conta com um ventilador e uma televisão de 20 polegadas, itens que foram doados pela sua família. Além disso, ele tem acesso a uma área anexa onde pode tomar banho de sol, conforme mostrado em imagens divulgadas.
Contexto das alegações anteriores
A vistoria foi realizada após bolsonaristas, incluindo o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o atual deputado Mário Frias, publicarem nas redes sociais que Martins estava sendo "torturado" e corria "risco de morte". Essas alegações motivaram a inspeção, que acabou por contrariar o discurso da direita sobre condições insalubres na prisão.
Histórico da prisão de Filipe Martins
O ex-assessor foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 21 anos de prisão por envolvimento na trama golpista, sendo considerado responsável por rascunhar uma versão do que ficou conhecido como minuta do golpe. Inicialmente, ele cumpria prisão domiciliar com restrições, incluindo a proibição de usar redes sociais.
No entanto, Martins descumpriu a ordem ao acessar o LinkedIn, fato reconhecido pela sua própria defesa, o que resultou na sua volta ao sistema prisional. Desde então, aliados têm feito pressão sobre o governador Ratinho Júnior (PSD) para tomar providências, alegando condições inadequadas – algo que não foi confirmado pela vistoria oficial.
A inspeção reforça que as condições da cela são adequadas, colocando em xeque as narrativas de violação de direitos que circulavam nas redes sociais. As autoridades envolvidas destacaram a transparência do processo e a conformidade com os padrões legais para detenção no país.
