Ex-governador do Rio se ausenta de CPI alegando problemas de saúde
O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), comunicou oficialmente que não comparecerá à oitiva da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado marcada para esta terça-feira, 14 de abril de 2026. Em nota divulgada, Castro atribuiu a ausência a "dores intensas na região lombar" que o impediriam de viajar até Brasília.
Justificativa médica e compromisso institucional
Segundo a assessoria do ex-governador, ele recebeu orientação médica específica para suspender viagens e atividades presenciais no momento atual. Em respeito aos membros da Comissão e ao trabalho conduzido pelo Senado Federal, Castro se comprometeu a enviar um laudo médico detalhado que comprove sua condição de saúde e justifique a não participação na sessão de depoimento.
A convocação de Cláudio Castro foi aprovada no final de março, juntamente com a de Ibaneis Rocha, ex-governador do Distrito Federal. Os requerimentos foram elaborados pelo relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB), no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master.
Contexto das investigações e importância dos depoimentos
No pedido de convocação, o senador Vieira argumentou que o testemunho de Castro proporcionaria "um panorama macroestratégico inestimável" para a CPI. Ele destacou que a visão de quem ocupou o cargo de chefe do Executivo em um dos estados mais afetados pelo crime organizado é fundamental para diagnosticar deficiências na legislação penal e processual penal brasileira.
O relator enfatizou que o depoimento permitiria investigar as falhas e gargalos institucionais que dificultam o combate à lavagem de dinheiro e à asfixia financeira do crime organizado, além de analisar a capilaridade da infiltração de criminosos no aparato estatal.
Situação de Ibaneis Rocha e decisão do STF
Enquanto isso, o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, conseguiu evitar duas oitivas graças a uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A determinação judicial desobrigou o depoimento de Rocha com base no princípio constitucional que protege contra a autoincriminação.
No requerimento de convocação, Vieira justificou a necessidade do testemunho de Rocha por ele estar "no centro de dois eixos de investigação que convergem de maneira singular". O primeiro eixo diz respeito às relações comerciais do escritório de advocacia que fundou com entidades investigadas pelas Operações Compliance Zero e Carbono Oculto da Polícia Federal.
O segundo eixo refere-se ao papel institucional exercido por Rocha nas decisões estratégicas do Banco de Brasília (BRB), banco público sob controle do governo distrital, cujas operações com o Banco Master constituem objeto central das investigações em curso.
Convergência de evidências e necessidade investigativa
O senador relator acrescentou que a convergência desses dois eixos, documentada por relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), por apurações da CPMI do INSS e por investigações jornalísticas de grande repercussão, confere ao depoimento do ex-governador um caráter de necessidade investigativa que a Comissão não pode ignorar.
A ausência de Castro na CPI ocorre em um momento delicado para sua trajetória política, especialmente considerando que um julgamento no STF sobre sua sucessão no governo do Rio de Janeiro serve como termômetro para seu futuro na política brasileira.



