BRB aprova aumento de capital bilionário para reduzir rombo deixado pelo Master
Em uma medida crucial para tentar recuperar sua saúde financeira, o Banco de Brasília (BRB) aprovou nesta quarta-feira (22) um aumento de capital que pode chegar a impressionantes R$ 8,8 bilhões. Esta ação representa o primeiro passo concreto para reduzir o rombo financeiro deixado pelo escândalo envolvendo o Banco Master, que gerou prejuízos significativos para a instituição pública.
Detalhes do aumento de capital e participação do governo
O aumento de capital aprovado pelo BRB significa que o banco está autorizado a receber novos aportes financeiros, que poderão vir diretamente dos acionistas. Esta decisão terá reflexos diretos nas contas do governo do Distrito Federal, que detém mais de 53% das ações do BRB, posicionando-se como o maior acionista da instituição bancária.
Segundo informações oficiais do BRB, o governo distrital deverá aportar pelo menos R$ 6 bilhões para manter sua condição de acionista majoritário. No entanto, o governo do DF ainda não divulgou qual valor exato pretende transferir para o banco. Para levantar os recursos necessários, a administração distrital estuda criar um fundo baseado em dívidas que o governo tem a receber de outros entes.
Contexto do caso Master e operações fraudulentas
Os negócios com o Banco Master geraram um prejuízo substancial ao BRB, com ativos problemáticos ainda constando no balanço da instituição. Investigações conduzidas pelo Banco Central e pela Polícia Federal revelaram operações entre as duas instituições com fortes indícios de fraude financeira.
Conforme detalhado em ação judicial, o Master adquiriu quase R$ 7 bilhões em carteiras de crédito consideradas podres e sem garantias financeiras adequadas de outra instituição, sem efetuar nenhum pagamento pelo negócio. Em seguida, revendeu essa mesma carteira ao BRB por mais de R$ 12 bilhões, recebendo o valor integral imediatamente.
O BRB informou que, entre julho de 2024 e outubro de 2025, adquiriu carteiras de crédito do Banco Master e do Will Bank que totalizaram mais de R$ 26 bilhões. Segundo a instituição, "os primeiros indícios de irregularidades só se consolidaram após o início de 2025, culminando na formação de grupos de trabalho internos para a revisão dos processos".
Outras medidas para recuperação financeira
Além do aumento de capital, o BRB está buscando múltiplas estratégias para fortalecer sua situação financeira:
- Tenta obter um empréstimo com um grupo de instituições financeiras e com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC)
- Anunciou na segunda-feira (20) um acordo com uma gestora de fundos de investimentos para tentar negociar R$ 15 bilhões em ativos provenientes do Master
- Conseguiu captar R$ 3 bilhões no mercado em março através da emissão de títulos de renda fixa com garantia do FGC
Todas essas ações têm impacto direto no patrimônio do BRB, que representa a diferença entre os ativos e as dívidas da instituição, refletindo a situação financeira atual do banco.
Transparência e próximos passos
A divulgação do balanço detalhado com os planos financeiros completos era inicialmente esperada para março, mas o BRB informou que só deve publicar o documento completo no final de maio. Esta postergação reflete a complexidade das operações em análise e a necessidade de consolidar todas as informações sobre o impacto financeiro do caso Master.
As medidas adotadas pelo BRB visam especialmente melhorar sua capacidade de honrar saques e compromissos financeiros, ou seja, fortalecer sua liquidez operacional. O aumento de capital bilionário representa um esforço significativo para restaurar a confiança na instituição e garantir sua sustentabilidade financeira a longo prazo.



