Brasil mantém posição crítica no combate à corrupção, segundo Transparência Internacional
Um relatório recente da Transparência Internacional trouxe à tona uma constatação alarmante: o Brasil não tem prosperado no combate à corrupção, permanecendo entre os países omissos frente a escândalos dessa natureza. A informação, embora deplorável, já não causa espanto, considerando a abundância de evidências que expõem, de forma totalmente transparente, a corrupção, os corruptos e os corrompíveis que assolam a nação.
Nada se esconde nessa tragédia moral que nos assalta com intensidade cada vez maior. Os crimes financeiros na área privada, as malandragens no serviço público e na política praticam-se às claras, aos borbotões, sem qualquer pudor ou receio de consequências.
Congresso Nacional e a opacidade das emendas parlamentares
Quando o Congresso Nacional sai em campo para apagar as pegadas das emendas parlamentares, dificultando que sejam questionados seus destinos, torna-se evidente a intenção de ocultar informações. Não há que reclamar transparência no que já está suficientemente exposto, mas sim de ações concretas para mudar esse cenário.
As atividades políticas e financeiras passam a ser, salvo as exceções que confirmam a regra, matéria excelente para as editorias de polícia, dada a frequência e a gravidade dos casos.
Supremo Tribunal Federal e a rede de influências
Se o banco sujo contrata, por salários estratosféricos, a “assessoria” de ex-ministros e os serviços de escritórios de advogados de familiares de quem está ocupando cadeira no Supremo Tribunal Federal, já não faz sentido duvidar das intenções. Só pensa em sair ileso, quando chegar a hora de esbarrar nos tribunais.
No Supremo, tudo transparente entre parentes, com sobra de clareza nos negócios entre familiares de poderosos, numa vasta rede de influências, onde os interesses somam-se aos bilhões. Não faltam evidências dos abusos nos altos escalões, onde antes se vestiam de terno e gravata, agora também de toga.
Código de conduta e a resistência interna
Na semana passada, pesadíssima para o já pálido prestígio do STF, seu presidente, Édson Fachin, sentiu a garganta embargada. Parecia preocupado com sua biografia, desafiado com a desmoralização gerada pelo caso Dias Toffoli.
Ao propor um código de conduta, a ser cumprido por seus pares, Fachin também deixa claro – totalmente transparente – que há nas cadeiras ao seu lado desregramentos e excessos a serem contidos, como o crescente tráfico de amigos interessados em processos que vão tramitar na esfera última da Justiça. Esse código, que enfrenta a resistência dos pecadores, é uma confissão de que maldades há.
Governo e medidas controversas
Outro exemplo, se não bastassem tantos, foi quando o governo extinguiu limites dos cartões de crédito dos gabinetes poderosos, e impôs segredo de cem anos para documentos comprometedores, que ficam a salvo de questionamentos moralizadores, mortos e amarelados nas gavetas.
Também aí faz sentido indagar dos agentes da Transparência Internacional se acham que é preciso a prática da corrupção ficar mais clara do que já está. Nas lendas da literatura árabe, quando os roubos nas caravanas são facilmente percebidos, não havendo como escondê-los, diz-se que a situação está mais clara que leite de camela. Não temos camelas nem seu leite, mas aqui as mazelas andam bem mais claras, exigindo ações urgentes e eficazes para mudar esse quadro desolador.



