Banco Master tinha apenas 10% do dinheiro necessário para pagar CDBs quando foi liquidado, diz Galípolo em CPI
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, fez uma revelação impactante durante seu depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado Federal, nesta quarta-feira, 8 de abril de 2026. Segundo ele, o caixa do Banco Master dispunha de recursos suficientes para pagar apenas 10% do montante devido a investidores na forma de CDBs (Certificados de Depósito Bancário) no momento da liquidação, ocorrida no final de 2025.
"No dia da liquidação, o banco [Master] tinha em caixa um valor que era 10% do valor de vencimento que ele tinha para pagar naquele dia, efetivamente", afirmou Galípolo durante a sessão. "E isso gera a liquidação do banco", acrescentou, destacando a gravidade da situação financeira da instituição.
Investigação e práticas questionáveis do Banco Master
Poucos meses após Galípolo assumir o comando do Banco Central, a autoridade monetária constatou que o Master estava vendendo carteiras novas para obter mais liquidez, uma prática que chamou a atenção dos fiscais. "Em março [de 2025], o diretor de fiscalização [do BC, Ailton Aquino] sobe à presidência e diz que está fazendo a investigação das carteiras", relatou Galípolo na CPI. "Investigar significa encontrar evidências de que o empréstimo efetivamente ocorreu", concluiu, indicando que o banco pode ter usado artifícios para mascarar sua real situação.
Questionado sobre o tempo que o Banco Central levou para decretar a liquidação do Master, o presidente da autoridade monetária explicou que "a lei demanda que o BC esgote alternativas de mercado antes de liquidar o banco, porque é a menos custosa para o sistema". Essa abordagem visa minimizar os impactos no sistema financeiro nacional, mas também pode levantar questões sobre a agilidade na intervenção.
Sigilo do caso Master e defesa de Galípolo
As normas do Banco Central determinam que informações sobre a liquidação do Master, assim como de outros bancos de porte similar, fiquem sob sigilo durante oito anos, conforme lembrou Galípolo. O presidente da autarquia defendeu que o rito seja seguido rigorosamente para evitar problemas no longo prazo. "É fundamental que seja seguido o rito mais estrito possível, justamente para evitar dar algum tipo de subsídio de eventual questionamento no futuro", disse durante a CPI, enfatizando a importância da confidencialidade em processos delicados como esse.
Ausência de Campos Neto na CPI
O ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto também seria ouvido na CPI do Crime Organizado nesta quarta-feira, mas declinou o convite para falar. Ele recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) e obteve decisões favoráveis que o dispensaram de comparecer nesta e em outras ocasiões. O escândalo do Banco Master teve início antes de 2025, portanto ocorreu durante o mandato de Campos Neto à frente do regulador, o que torna sua ausência ainda mais significativa no contexto das investigações.
O depoimento de Galípolo lança luz sobre as falhas graves que levaram à liquidação do Banco Master, destacando a necessidade de maior transparência e fiscalização no sistema bancário brasileiro. As revelações podem influenciar futuras políticas de regulação e proteção aos investidores, especialmente em um momento de crescente preocupação com a estabilidade financeira.



