Assessor do governo do Rio acusa Palácio da Guanabara de ser sede do crime organizado
Victor Travancas, advogado e assessor da Secretaria da Casa Civil no governo de Cláudio Castro (PL), fez uma declaração bombástica nesta quinta-feira (12), classificando o Palácio da Guanabara, sede do Executivo estadual, como o "gabinete do crime organizado no Rio de Janeiro". Em entrevista ao ex-governador Anthony Garotinho no YouTube, Travancas foi enfático: "Na verdade, o crime organizado no Rio funciona dentro do Palácio Guanabara".
Pedidos de exoneração ignorados e acusações de retaliação
O assessor revelou que já solicitou sua demissão diversas vezes, mas o governador Cláudio Castro o mantém no cargo. Segundo Travancas, isso ocorre porque, enquanto estiver empregado pelo governo, ele não pode processá-lo. "Eu não fui demitido. Eu estou no governo e ninguém me exonera. É uma coisa maravilhosa. Ontem mandei no whatsapp 'por favor, me exonerem' e não fui exonerado", ironizou durante a conversa.
Investigações envolvem o governador e esquemas de contratação
Cláudio Castro está sob investigação do Tribunal Superior Eleitoral por supostamente liderar um esquema de contratações irregulares de cabos eleitorais em 2022, utilizando dinheiro público por meio do Ceperj e da Universidade do Estado do Rio (Uerj). O Ministério Público aponta cerca de 45 mil contratações temporárias autorizadas no período eleitoral, com relatórios citando pagamentos em espécie e saques que totalizariam aproximadamente R$ 248 milhões. Para o órgão, esse modelo teria sido usado para empregar apoiadores e influenciar o pleito.
Operação Anomalia e prisões de ex-integrantes do governo
Na segunda-feira (9), a Polícia Federal deflagrou a Operação Anomalia, visando desarticular um núcleo criminoso envolvido na negociação de vantagens indevidas e venda de influência para beneficiar um traficante internacional de drogas. Entre os presos está Alessandro Pitombeira Carracena, ex-secretário estadual de Esportes de Castro, suspeito de integrar um grupo que vendia influência dentro do governo para favorecer o tráfico.
Além dele, o delegado Allan Turnowski, ex-secretário de Polícia Civil do Rio, foi preso duas vezes sob acusação de ligações com o jogo do bicho. As investigações indicam que ele atuava como agente duplo em favor de contraventores. Turnowski sempre negou as acusações e responde ao processo em liberdade, com o caso agora tramitando no Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio devido ao foro por prerrogativa de função.
Histórico de escândalos na administração penitenciária
Em 2021, a PF prendeu a cúpula da Secretaria estadual de Administração Penitenciária (Seap), incluindo o então secretário Raphael Montenegro e subsecretários, acusados de negociar com o Comando Vermelho em troca de propina. A ação foi posteriormente trancada pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, mas o episódio reforça as alegações de corrupção e envolvimento com o crime organizado no governo estadual.
Essas revelações e operações policiais destacam um cenário de crise política e segurança no Rio de Janeiro, com acusações graves que abalam a confiança na administração pública. A situação continua a ser monitorada por autoridades e pela mídia, aguardando desdobramentos nas investigações em curso.
