Mistério na Justiça: Acordo da 'Rachadinha' de Alcolumbre Desaparece e Paralisa Processo
Acordo da Rachadinha de Alcolumbre Some e Paralisa Processo

O Desaparecimento do Documento que Paralisa a Justiça

O caso da rachadinha envolvendo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), continua gerando controvérsias e obstáculos no sistema judiciário brasileiro. Revelado originalmente pela revista Veja em outubro de 2021, o esquema fraudulento contratou mulheres da periferia de Brasília como assessoras parlamentares, com a condição de devolverem entre 80% e 90% de seus salários, que variavam de R$ 4.000 a R$ 14.000. A fraude se estendeu por cinco anos e resultou em um desvio estimado de 2 milhões de reais dos cofres públicos.

O Acordo que Sumiu do Radar

Após a denúncia, a subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo, conduziu uma apuração que culminou em um acordo de não persecução penal (ANPP) com Paulo Boudens, ex-assessor e braço direito de Alcolumbre. Boudens assumiu a responsabilidade pelo esquema, e o acordo, em tese, livrou-o de processo criminal, desde que reparasse os danos e devolvesse o dinheiro desviado. No entanto, esse documento crucial desapareceu, criando um impasse judicial significativo.

O Processo Travado no Rio Grande do Sul

Em 2022, o advogado Rafael Gama impetrou uma ação popular contra Alcolumbre na Justiça Federal do Rio Grande do Sul, já que processos de improbidade não têm foro privilegiado. O senador tornou-se réu, mas o andamento do caso está paralisado. O juiz federal Fábio Mattiello, responsável pela ação, não conseguiu acessar o acordo de não persecução penal, essencial para esclarecer fatos e responsabilidades.

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Em novembro de 2024, Mattiello enviou um documento à Procuradoria-Geral da República (PGR), solicitando confirmação da existência do acordo. A PGR confirmou, mas não enviou as cópias, alegando que deveriam ser requisitadas ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em abril de 2025, o juiz notificou diretamente o STF, que respondeu, em ofício, que não identificou processos em nome de Paulo Boudens em seus sistemas, aumentando o mistério.

As Alegações e o Futuro do Caso

Sem o acordo, o juiz citou Alcolumbre para apresentar alegações. Os advogados do senador argumentaram que não há demonstração de lesão ao erário ou dano à Administração Pública por suposto desvio de salários de funcionários fantasmas. O acordo de não persecução penal seria fundamental para esclarecer os fatos, mas seu paradeiro permanece desconhecido, levantando questões sobre transparência e eficácia da Justiça.

O caso ilustra as complexidades e desafios no combate à corrupção no Brasil, onde documentos essenciais podem sumir, travando investigações e processos. A sociedade aguarda respostas sobre onde está o acordo e se o dinheiro desviado foi realmente devolvido, enquanto a Justiça Federal tenta desvendar esse enigma que envolve altas esferas do poder.

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