Alessandro Martins dos Santos, principal suspeito de participar do estupro coletivo de duas crianças na Zona Leste de São Paulo, foi transferido para a capital paulista após ser preso na Bahia. O homem de 21 anos responderá pelos crimes de estupro de vulnerável, corrupção de menores e compartilhamento de pornografia infantil. Quatro adolescentes, com idades entre 14 e 16 anos, também foram apreendidos.
Detalhes do crime
De acordo com o delegado Júlio Geraldo, responsável pelo caso, os suspeitos convidaram as vítimas, meninos de 7 e 10 anos, para empinar pipa. No entanto, a situação mudou de rumo. "A ideia era passar em casa para pegar linha de pipa e tomar banho. Essa história foi confirmada por todos, inclusive pelas vítimas", afirmou o delegado em coletiva de imprensa na terça-feira (5).
Segundo a investigação, um dos meninos estava sujo, o que motivou o convite para tomar banho na casa de um dos adolescentes. Foi nesse contexto que os abusos ocorreram. Alessandro confessou participação no crime e disse que foi "por zoeira", sem demonstrar arrependimento. Ele também admitiu ter gravado o vídeo dos abusos com o próprio celular.
Prisão e transferência
Alessandro foi preso na última sexta-feira (1º) pela Polícia Militar em Brejões, na Bahia. Dois agentes da Polícia Civil de São Paulo foram enviados ao estado para trazê-lo de volta. Ele seguiu algemado em um voo para a capital paulista. A defesa do suspeito e dos adolescentes não foi localizada para comentar o caso.
O crime ocorreu no dia 21 de abril, mas só chegou ao conhecimento da polícia três dias depois, quando a irmã de uma das vítimas viu imagens dos abusos circulando nas redes sociais e fez a denúncia. A polícia conseguiu identificar todos os envolvidos em cinco dias.
Ameaças e pressão
As famílias das vítimas sofreram pressão da comunidade para não registrar boletim de ocorrência. A irmã que fez a denúncia não morava com a mãe das crianças e só soube do crime ao reconhecer o irmão nas imagens. A família chegou a deixar a comunidade após ameaças. "Teve gente que saiu com a roupa do corpo. Foi uma dificuldade encontrar essas vítimas", relatou a delegada.
Investigação em andamento
A polícia agora investiga quem compartilhou o vídeo dos abusos, o que também configura crime. "No primeiro momento a gente tinha a prioridade de identificar os agressores. No segundo momento vamos atrás para saber quem divulgou essas imagens", disse o delegado Júlio Geraldo.
As crianças recebem atendimento médico e psicológico, acompanhadas pelo Conselho Tutelar. As famílias foram acolhidas por serviços sociais da Prefeitura de São Paulo. O local onde estão foi mantido em sigilo para proteção das vítimas, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).



