Guarda municipal de Cosmópolis é preso após atirar contra pai e filho em discussão
A Polícia Civil de São Paulo está investigando o subinspetor da Guarda Municipal de Cosmópolis, Reinaldo Aparecido Falcão de Souza, de 61 anos, após ele ter disparado tiros com arma de fogo durante uma discussão acalorada com um morador e seu filho adolescente no último domingo (12). O incidente ocorreu no bairro Jardim São Pedro e foi completamente capturado por câmeras de segurança da residência, que registraram toda a sequência dos acontecimentos. Felizmente, ninguém ficou ferido durante o confronto, mas o caso gerou grande repercussão na comunidade local.
Detalhes do incidente e prisão em flagrante
O guarda municipal foi preso em flagrante pelos crimes de ameaça e disparo de arma de fogo, mas conseguiu sua liberdade após pagar uma fiança no valor de R$ 2 mil. O episódio aconteceu na Rua Julieta de Simone Mortari, uma via conhecida pela tranquilidade e por estar próxima a uma área verde da cidade. Segundo o depoimento do próprio subinspetor às autoridades policiais, ele passava pelo local acompanhado de um amigo e procurava minhocas para pescar quando adentrou uma área monitorada por câmeras de segurança.
O sistema de áudio do equipamento emitiu um alerta automático, e o agente reagiu com xingamentos direcionados ao dispositivo. O morador João Henrique Ribeiro da Silva relatou que saiu de casa com seu filho para entender o que estava acontecendo. "Eu e meu filho estávamos arrumando a cerca. A gente desceu e se deparou com ele [...] Fui falar com ele, porque ele estava falando vários palavrões, xingando a câmera [...] e começou uma discussão comigo", afirmou João Henrique em seu testemunho.
Imagens das câmeras mostram gravidade da situação
Durante o desentendimento, após os tiros disparados pelo guarda municipal, pai e filho correram de volta para dentro da residência em busca de proteção. As imagens das câmeras de segurança mostram claramente o subinspetor apontando a arma em direção ao imóvel e proferindo ameaças graves. "Quer morrer hoje? Quer morrer hoje desgraçado? [...] Morre os dois!", gritou o agente conforme registrado no vídeo. Silvana Ramos Ribeiro da Silva, mãe do adolescente de 16 anos, revelou que seu filho havia pedido para que o guarda municipal não atirasse durante o confronto.
Investigação em andamento e versão do agente
As imagens das câmeras de segurança foram entregues à Polícia Civil, que agora apura minuciosamente todas as circunstâncias do caso. O subinspetor da Guarda Municipal de Cosmópolis se apresentou às autoridades, mas recusou-se a gravar entrevista com a EPTV, afiliada da TV Globo. Em sua defesa, o agente afirmou que agiu em legítima defesa durante o incidente e utilizou uma arma particular, não a arma funcional da corporação. A arma utilizada e as cápsulas deflagradas foram apreendidas pelos investigadores e encaminhadas para perícia técnica especializada.
Questionamentos sobre a atuação da Guarda Municipal
O morador João Henrique fez sérias acusações contra a equipe da Guarda Municipal que foi acionada após a ocorrência. Segundo ele, os agentes não teriam preservado adequadamente o local do crime, permitindo que as próprias vítimas recolhessem as cápsulas dos projéteis e as levassem até a delegacia. "Quero justiça. Isso não pode acontecer. Ele é uma pessoa experiente, como faz uma coisa dessa?", questionou Silvana, mãe do adolescente que foi ameaçado. A família informou que pretende procurar o Ministério Público para solicitar medida protetiva, alegando que continua recebendo ameaças mesmo após o incidente.
Apuração interna e posicionamento da corporação
A Corregedoria da Guarda Municipal de Cosmópolis comunicou oficialmente que abriu uma investigação interna rigorosa sobre o caso e deixou claro que não compactua com esse tipo de conduta por parte de seus agentes. O órgão está apurando se o subinspetor será afastado de suas funções durante o processo investigativo. A reportagem questionou a corporação sobre as acusações de falta de preservação do local do crime, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. A defesa do guarda municipal também foi procurada, mas não respondeu aos questionamentos da imprensa.



