Ex-policiais civis são investigados por esquema de roubo em Ribeirão Preto
Dois ex-policiais civis, um ex-investigador e um ex-carcereiro, estão sendo investigados por supostamente participarem de um esquema criminoso que resultou no roubo de R$ 30 mil de dois empresários em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. O caso, que ocorreu há aproximadamente um mês, envolve uma simulação de abordagem policial para subtrair o dinheiro das vítimas.
Detalhes das prisões e foragidos
Na última sexta-feira (13), a Polícia Civil efetuou a prisão de Jair Jorge Cano, um policial aposentado, na cidade de Jaboticabal, também no estado de São Paulo. Cano confessou à polícia que foi contratado para participar do esquema criminoso. Outro indivíduo detido no mesmo dia foi Guilherme Zapparoli Manieri, de 47 anos, preso em Ribeirão Preto. Com Manieri, os agentes apreenderam uma quantia significativa em dinheiro: US$ 67,5 mil e R$ 60,7 mil.
Enquanto isso, José Claudino da Rocha Neto, um ex-policial civil exonerado por crimes contra a administração pública, é considerado foragido pelas autoridades. Além dele, outros dois suspeitos, Gilmar Peixoto Alencar e Marcelo José Ferezin, também estão em situação de foragidos. A defesa de Marcelo Ferezin informou que não irá se manifestar sobre o caso no momento.
Modus operandi do crime
De acordo com as investigações da Polícia Civil, no dia 13 de fevereiro, Guilherme Manieri atraiu dois empresários, um da capital paulista e outro de Fortaleza, Ceará, para uma área de lazer alugada no bairro Ribeirânia, em Ribeirão Preto. As vítimas relataram à polícia que estavam negociando com Manieri a compra de três celulares, avaliados em R$ 10 mil cada um. No entanto, a polícia ainda está apurando essa versão dos fatos.
No momento da suposta negociação, os dois ex-policiais, Jair Jorge Cano e José Claudino da Rocha Neto, entraram no local vestidos com fardas policiais, conforme registrado por câmeras de segurança. Cano chegou a colocar algemas em Guilherme Manieri, mas, segundo a polícia, essa foi uma simulação para fazer com que Manieri parecesse uma vítima, já que as algemas foram retiradas pouco tempo depois. As vítimas afirmaram que os policiais fugiram com o dinheiro.
Declarações das autoridades
O delegado André Baldochi, responsável pelo caso, explicou que as vítimas foram atraídas por um motivo que, a princípio, seria a compra e venda de iPhones, mas que ainda está sendo melhor apurado. "Pessoas entraram, mediante alguma violência ou alguma dissimulação, vestidas de policiais, algemaram as vítimas e levaram embora esse dinheiro", afirmou o delegado.
Baldochi também destacou que a polícia acredita que pelo menos oito pessoas estejam envolvidas no esquema, sendo que cinco delas já foram identificadas. Ele mencionou que o crime está sendo tratado como roubo majorado pelo concurso de pessoas, mas pode se transformar em outros delitos, como lavagem de dinheiro, organização criminosa, estelionato ou roubo, considerando a grande quantidade de dólares e reais apreendidos.
Contexto e investigações em andamento
A Polícia Civil continua investigando o caso para esclarecer todos os detalhes e identificar possíveis outros envolvidos. As autoridades estão analisando as evidências, incluindo as imagens das câmeras de segurança e os depoimentos das vítimas e dos suspeitos, para determinar a natureza exata do crime e as responsabilidades de cada um.
A EPTV, afiliada da TV Globo, tentou entrar em contato com a defesa dos outros suspeitos, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. O caso chama a atenção pela participação de ex-policiais civis em atividades criminosas, levantando questões sobre a integridade e a conduta de profissionais que deveriam zelar pela segurança pública.



