Criminoso reincidente: ex-gerente de banco agride sogra e acaba esfaqueado
Eduardo Barbosa de Oliveira, de 44 anos, ex-gerente bancário condenado a sete anos de prisão por furtar R$ 1,5 milhão de uma agência do Banco do Brasil, foi novamente preso na madrugada de segunda-feira (4) no bairro Itararé, em Vitória. Desta vez, o motivo foi uma agressão contra a própria sogra e uma tentativa de esfaquear o cunhado.
De acordo com a Polícia Militar, Eduardo, que estava em liberdade mesmo após a condenação em regime semiaberto, iniciou uma discussão com a esposa na casa da família dela. Durante o desentendimento, a sogra tentou intervir e foi agredida com socos no rosto. O filho da vítima, que mora ao lado, foi chamado e tentou defender a mãe. Segundo a polícia, Eduardo avançou contra ele com uma faca, mas acabou sendo desarmado e ferido pelo cunhado, que teria agido em legítima defesa.
O ex-gerente foi socorrido e levado para o Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE), onde permanece internado sob escolta policial. Não foram divulgadas informações sobre seu estado de saúde. O g1 não conseguiu localizar a defesa de Eduardo.
O caso foi registrado na Delegacia Regional de Vitória. A sogra solicitou medida protetiva de urgência contra o genro. O Tribunal de Justiça do Espírito Santo e a Secretaria de Estado da Justiça foram procurados para esclarecer a situação do condenado, como o motivo de ele estar em liberdade, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem.
Condenação por furto milionário
Eduardo Barbosa de Oliveira foi condenado em setembro do ano passado a sete anos de prisão, em regime semiaberto, por furtar R$ 1,5 milhão da agência do Banco do Brasil onde trabalhava, no bairro Praia do Canto, em Vitória. O crime aconteceu em novembro de 2024. Depois de retirar o dinheiro da agência, ele foi localizado no Rio Grande do Sul ao lado da esposa, de 29 anos, a poucos quilômetros da fronteira com o Uruguai. A mulher foi absolvida por insuficiência de provas.
Furto e fuga para o Uruguai
O casal foi preso quatro dias depois, na cidade de Santa Cruz, no Rio Grande do Sul, quando tentava fugir para o Uruguai. Eduardo exercia a função de gerente de módulo, cargo equivalente a tesoureiro, em uma agência na Praia do Canto, que oferece atendimento, serviços e produtos exclusivos para clientes de alta renda. O homem saiu da agência com notas de real e moeda estrangeiras, com dinheiro escondido até mesmo na calça.
Durante depoimento, a esposa contou ter comprado o carro da fuga com R$ 74 mil em espécie, recebidos de Eduardo, e afirmou ao juiz não saber da origem criminosa do dinheiro. Segundo ela, o companheiro afirmou que fazia parte de um empréstimo feito para o casal ter condições de mudar de estado. A mulher informou que Eduardo contou que tinha sido transferido de agência de forma emergencial por ameaças feitas pelo ex-marido dela.
O ex-gerente avisou sobre a transferência na quarta-feira, 14 de novembro, e disse que começaria na nova agência quatro dias depois, segunda-feira (18). Com esse suposto prazo, Eduardo reforçou a necessidade de viajarem logo, indicando que teriam que comprar um carro, pois o do casal estava com pneus gastos e sem manutenção.
Detalhes do crime
No dia do furto, a mulher tentou comprar um carro de R$ 74 mil em dinheiro. Funcionários estranharam o fato dela ter dito ser doméstica, mas estar com o valor total em espécie. A loja não aceitou o pagamento. Sendo obrigada a realizar um depósito para conseguir concluir a compra, a mulher foi até a agência onde o marido trabalhava, mas fingiu não conhecê-lo, segundo o vendedor do veículo.
Imagens de câmeras de segurança da agência divulgadas pela Polícia Civil mostram a movimentação de Eduardo no fim do expediente. Por volta das 17h, o homem saiu da agência com uma caixa de papelão nas mãos; segundo a polícia, dentro da caixa estava o dinheiro furtado da tesouraria. Sem saber, um menor aprendiz ajudou o gerente a sair com o dinheiro da unidade. Em algum momento antes de deixar o trabalho, Eduardo trocou a senha do cofre da agência. Neste dia ainda, Eduardo fez contato com a ex-mulher, entregou R$ 20 mil e passou um carro para o nome dela, como uma espécie de acerto de contas do divórcio deles.
No dia 18 de novembro, Eduardo não foi trabalhar e os colegas não conseguiram contato. A gerente da Agência Central do Banco do Brasil, em Vitória, procurou a polícia e registrou um Boletim de Ocorrência (BO). Policiais foram até a agência e identificaram através das imagens das câmeras a conduta suspeita do casal.
O casal dirigiu 2.200 km, de Vitória até Santa Cruz, cidade gaúcha onde foram localizados. Ao serem presos, os dois estavam a aproximadamente 247 km da fronteira do Brasil com o Uruguai. O dinheiro foi encontrado em uma mala, mas também espalhado pelo veículo, como maços de notas no pneu estepe. No total, 10,3 mil notas foram apreendidas, entre reais, euros e dólares. As cédulas e o veículo foram apreendidos. A dupla levava um gato e um cachorro, que foram encaminhados para uma ONG para receberem cuidados provisórios.



