A desembargadora do Trabalho Adenir Carruesco, do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (Mato Grosso), usou as redes sociais para denunciar um episódio de racismo vivido no último final de semana. Em um mercado, uma cliente a abordou insistentemente, perguntando sobre preços e localização de produtos, por acreditar que Carruesco era funcionária do estabelecimento.
Relato da magistrada
No vídeo publicado, Carruesco afirmou: “E eu, desembargadora — sem a toga — sou apenas mais um corpo preto que a razão brasileira insiste em enxergar como serviçal”. O incidente ocorreu no domingo, 17 de maio. A magistrada, que já presidiu o TRT da 23ª Região, destacou que a cliente não cometeu um ato racista intencional, mas reproduziu uma lógica racista estrutural.
“Essa senhora não cometeu nenhum ato racista. O problema não é aquela mulher no supermercado. É a lógica que ela, sem saber, reproduz. Uma lógica que precisa ser desmontada. Um domingo de cada vez”, disse Carruesco.
Carreira e representatividade
Ingressou na magistratura trabalhista em outubro de 1994, há 31 anos, e foi promovida a desembargadora em 2021. No vídeo, ela também abordou a falta de pessoas negras, especialmente mulheres, nos tribunais superiores. Segundo o Censo do Poder Judiciário de 2023, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), 82,5% da magistratura é branca. Apenas 1,4% dos magistrados se declaram negros e 13,6%, pardos. Homens predominam: 59,3% dos juízes, desembargadores e ministros.
Pressão por indicação ao STF
Desde a antecipação da aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, cresceu a pressão para que o presidente Lula indicasse uma mulher negra ao Supremo Tribunal Federal (STF). Movimentos sociais apresentaram listas e até judicializaram a demanda, mas Lula escolheu Jorge Messias, advogado-geral da União. O nome foi rejeitado na sabatina do Senado e, até o momento, não há novo indicado. Há rumores de que Messias será novamente proposto.



