Polícia Civil prepara destruição de 16 milhões de cigarros falsificados apreendidos em Salto
A Polícia Civil está organizando a destruição de aproximadamente 16 milhões de cigarros falsificados que foram apreendidos em uma fábrica clandestina localizada no distrito industrial de Salto, no interior de São Paulo. A apreensão ocorreu nesta terça-feira, 24 de setembro, após uma investigação desencadeada por uma denúncia de ligação clandestina de energia elétrica, popularmente conhecida como "gato".
Descoberta da fábrica clandestina
A descoberta do esquema ilegal aconteceu quando técnicos da companhia de energia foram até o local para verificar a denúncia. Eles foram recebidos por um homem que demonstrou nervosismo excessivo, levantando suspeitas. Ao adentrarem o galpão de 3.000 metros quadrados, as equipes se depararam com uma estrutura de produção em larga escala, completamente equipada para a falsificação de cigarros.
Conforme informações apuradas pela TV TEM, cerca de oito homens que trabalhavam na produção conseguiram fugir para uma área de mata assim que perceberam a chegada das viaturas policiais. A fuga foi tão rápida que os criminosos deixaram para trás celulares, uma sala de monitoramento com câmeras de segurança e até um caminhão de transportadora.
Estrutura industrial sofisticada
O capitão Danillo Andrade, em entrevista à TV TEM, descreveu a cena como "uma estrutura bastante consolidada". Dentro do galpão, a polícia encontrou:
- Maquinários profissionais preparados para a falsificação em larga escala
- Cerca de 40 mil pacotes de cigarros prontos para distribuição
- 16 toneladas de tabaco bruto não processado
- 89 caixas de insumos para fabricação
- Sistema de carimbos para falsificar embalagens de marcas originais
- Rádio comunicador e empilhadeira
Além da área de produção, o local contava com um alojamento organizado com 16 camas e divisões de turnos (dia e noite), cujas descrições estavam em espanhol, levantando suspeitas sobre a possível participação de estrangeiros na operação criminosa. Havia também uma cozinha com estoque considerável de alimentos.
Investigações em andamento
A Vigilância Sanitária de Salto foi acionada na manhã desta quarta-feira, 25 de setembro, para recolher os alimentos deixados no local. Os produtos serão descartados em um aterro sanitário por falta de segurança para o consumo, já que não há garantias sobre sua procedência e condições de armazenamento.
A Polícia Civil já iniciou a contagem oficial do material apreendido e trabalha ativamente na identificação dos proprietários do galpão e de todos os envolvidos no esquema. As investigações também buscam determinar se há efetivamente participação de pessoas estrangeiras na quadrilha, considerando as placas com descrições em espanhol encontradas no espaço.
Funcionários de empresas da região relataram às autoridades que as movimentações na fábrica clandestina começaram há aproximadamente seis meses, indicando que a operação criminosa já estava estabelecida há algum tempo antes da descoberta.
Destino do material apreendido
Todo o material apreendido - incluindo os 16 milhões de cigarros falsificados, o tabaco bruto, os insumos e os maquinários - será encaminhado para destruição e incineração. A polícia enfatiza que a eliminação desses produtos é crucial para evitar que retornem ao mercado ilegal e para desmantelar completamente a operação criminosa.
O caso segue sob investigação aprofundada da Polícia Civil, que busca identificar e prender todos os responsáveis pela montagem e operação da fábrica clandestina. As autoridades alertam para os riscos à saúde pública representados por cigarros falsificados, que não passam por controles de qualidade e podem conter substâncias ainda mais prejudiciais do que os produtos originais.



