Operação policial frustra plano de traficantes para comprar fuzis com R$ 200 mil apreendidos
Polícia frustra compra de fuzis com R$ 200 mil apreendidos

Operação policial intercepta R$ 200 mil destinados à compra de fuzis por traficantes

Um plano elaborado por traficantes do Espírito Santo para adquirir fuzis na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro, foi completamente desbaratado por uma ação conjunta das polícias Civil, Rodoviária Federal e Penal. A operação, deflagrada na última sexta-feira (27), resultou na abordagem de um veículo que transportava a quantia de R$ 200 mil em espécie, destinada exclusivamente à compra desse armamento pesado.

Esquema comandado de dentro do presídio

De acordo com as investigações, o esquema criminoso era liderado por Diego Augusto da Silva Andrade, de 31 anos, conhecido como Astro, chefe do tráfico de drogas no bairro Planalto Serrano, na Serra, região da Grande Vitória. Impressionantemente, ele teria dado as ordens para a transação diretamente de dentro do presídio onde se encontra detido no estado do Rio de Janeiro.

A Operação Fim da Rota, que teve como alvo um núcleo da facção Terceiro Comando Puro (TCP) envolvido no tráfico interestadual de drogas e armas, mobilizou equipes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Polícia Penal do Espírito Santo (PPES) e da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ). As informações sobre o sucesso da ação foram divulgadas oficialmente nesta quarta-feira (4).

Estratégia de vigilância e abordagem surpresa

A delegada Gabriela Enne, responsável pelo caso, explicou que a operação identificou três veículos suspeitos de estarem envolvidos no transporte do dinheiro. Dois deles foram utilizados pelos criminosos para verificar a presença de fiscalização na BR-101 e alertar os comparsas sobre qualquer movimentação policial.

No terceiro automóvel, além do motorista, estavam uma mulher e um bebê de apenas oito meses. Foi nesse carro, abordado quando retornava para a Serra, que os policiais encontraram os R$ 200 mil escondidos em uma bolsa infantil, cuidadosamente guardada no porta-malas. O condutor, ao perceber a intensificação das abordagens policiais na estrada, teria sido avisado para voltar, mas não conseguiu escapar da ação das autoridades.

Versões contraditórias e nervosismo evidente

Durante a abordagem, o motorista do veículo inicialmente alegou que estava retornando de um passeio com a esposa para comemorar o aniversário dela no estado do Rio de Janeiro. No entanto, diante do interrogatório, ele mudou sua versão e afirmou que o dinheiro seria utilizado para a compra de um imóvel na Região dos Lagos.

"Perguntamos se estava em contato com a imobiliária, se tinha visto algum anúncio, e não. Ele estava muito nervoso", declarou a delegada Gabriela Enne, destacando a falta de consistência na história apresentada pelo suspeito.

Plano de fuga e comando remoto do crime

A investigação revelou ainda que Diego, além de organizar a compra dos fuzis, planejava uma fuga da prisão com outros detentos. Segundo a delegada, "apesar de não haver uma data específica para essa fuga, o plano estava bem avançado, em fase de ajustes finais". O objetivo do traficante era escapar da cadeia e estabelecer-se permanentemente no Rio de Janeiro, de onde pretendia comandar suas atividades criminosas no Espírito Santo de forma remota.

"Tivemos êxito tanto em frustrar a operação de compra dos fuzis quanto desse plano de fuga", afirmou Gabriela Enne, ressaltando o duplo sucesso da operação policial.

Histórico criminal e apreensões

Diego Augusto da Silva Andrade foi preso anteriormente por tráfico de drogas e associação ao tráfico no estado do Rio de Janeiro, após fugir de uma cadeia no Espírito Santo. Ele chegou a se esconder na Rocinha, mas foi capturado em uma operação anterior. O carro abordado na última ação foi recolhido pelas autoridades, e o dinheiro apreendido foi depositado em juízo. As pessoas que estavam nos veículos foram conduzidas à delegacia, ouvidas e, posteriormente, liberadas, pois não havia evidências suficientes para autuação imediata.

Esta operação demonstra a eficácia do trabalho conjunto das forças policiais no combate ao crime organizado, especialmente em esquemas que envolvem o tráfico interestadual de armas e drogas, protegendo a segurança pública em múltiplas regiões.