Operação prende 7 ligados ao Comando Vermelho; vereador Salvino é solto após habeas corpus
Operação prende 7 ligados ao CV; vereador Salvino é solto

Operação Contenção Red Legacy prende suspeitos de ligação com facção criminosa no Rio

A Polícia Civil deflagrou nesta quarta-feira (11) a Operação Contenção Red Legacy, direcionada contra a estrutura nacional do Comando Vermelho (CV). Durante a ação, foram cumpridos 13 mandados de prisão, resultando na detenção de 7 indivíduos, incluindo seis policiais militares e o vereador carioca Salvino Oliveira, do PSD.

Vereador é preso e depois liberado pela Justiça

Salvino Oliveira foi detido na quarta-feira (11) durante a operação. Na quinta-feira (12), a Justiça manteve a prisão, considerando legal o mandado temporário. No entanto, na tarde desta sexta-feira (13), após a defesa entrar com um pedido de habeas corpus, o político foi solto do presídio de Benfica, na Zona Norte do Rio.

O delegado Vinicius Miranda, titular da Delegacia de Combate ao Crime Organizado do Departamento de Combate à Lavagem de Dinheiro, explicou que a prisão de Salvino foi solicitada após a polícia encontrar uma "série de indícios" que ligariam o vereador ao Comando Vermelho. "Esses indícios foram apresentados na Justiça, que entendeu que havia prisão temporária para que se buscasse até mais elementos, mais provas", afirmou Miranda.

Acusações contra o vereador envolvem tráfico e política

De acordo com o pedido de prisão, a Polícia Civil afirma ter identificado "tentativas de interferência política em áreas dominadas pelo tráfico", com o objetivo de transformar esses territórios em bases eleitorais. As investigações indicam que Salvino Oliveira teria buscado autorização do traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, para fazer campanha na comunidade da Gardênia Azul, área sob domínio do CV.

Entre as provas apresentadas está uma conversa interceptada no WhatsApp, onde um comparsa conhecido como Dom pergunta a Doca se é verdade que "o Pé e você autorizaram o Salvino a trabalhar". A polícia alega que, em troca da autorização, o vereador teria articulado benefícios ao grupo criminoso, como a liberação de quiosques na Gardênia Azul, sem processo público transparente.

Repercussão política e negações

O governador Cláudio Castro afirmou nas redes sociais que Salvino é o "braço direito do Comando Vermelho dentro da Prefeitura do Rio". Já o prefeito Eduardo Paes, em vídeo publicado após a prisão, declarou que, caso as suspeitas sejam confirmadas, defende punição. "Vou ser o primeiro a cobrar punição e exigir que a Justiça seja feita", disse Paes.

O vereador Salvino negou todas as acusações. "Estou sendo vítima de uma briga política que não é minha", declarou. Ele afirmou não ter ligação com o traficante Doca, nem envolvimento com a instalação de quiosques, e disse não conhecer o sobrinho do traficante Marcinho VP.

Outros alvos da operação e estrutura do CV

Além das 7 prisões, 4 alvos já estavam encarcerados. Entre os foragidos estão Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mulher de Marcinho VP e mãe de Oruam, e Landerson Lucas dos Santos, sobrinho de Marcinho VP. A polícia afirma que Marcinho VP "continua exercendo papel central na estrutura de comando da facção" mesmo após quase três décadas preso.

Segundo as investigações, Márcia atuaria na intermediação de interesses do grupo fora do sistema prisional, enquanto Landerson exerceria papel de elo entre lideranças da facção e atividades econômicas exploradas pela organização.

Perfil do vereador Salvino Oliveira

Salvino Oliveira tem 29 anos, nasceu na Cidade de Deus e teve uma infância humilde, vendendo balas e água em ônibus. Formou-se em Gestão Pública pela UFRJ e, em 2021, foi secretário municipal especial da Juventude na gestão de Eduardo Paes. Foi eleito vereador pelo PSD com mais de 27 mil votos e está no primeiro mandato. Seu projeto mais conhecido é a regulação do aluguel por temporada na cidade.

A Câmara de Vereadores do Rio emitiu nota afirmando que "acompanha o desenrolar dos fatos e se coloca à disposição das autoridades competentes", reafirmando confiança no devido processo legal.