Mulher apelidada de 'Malévola' é presa suspeita de comandar facção do PCC em cidade do litoral paulista
A Polícia Civil prendeu nesta quinta-feira (12) uma mulher suspeita de ocupar alto cargo de coordenação na facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) em Itanhaém, município do litoral de São Paulo. Ligia Sanches Moro, de 44 anos, conhecida pelos apelidos de 'Malévola' e 'Loira', foi detida durante uma operação da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) que cumpria mandados de busca e apreensão.
Operação policial apreende evidências detalhadas da organização criminosa
Os policiais executaram os mandados judiciais em uma residência localizada no bairro Guapurá, área identificada como um dos pontos de influência operacional da investigada. Durante as buscas, foram apreendidos diversos itens considerados cruciais para as investigações, incluindo celulares, máquinas de cartão e, especialmente, registros manuscritos com anotações minuciosas sobre a articulação interna da organização criminosa.
Os cadernos manuscritos chamaram particular atenção das autoridades pela riqueza de detalhes contidos em suas páginas. As anotações incluíam listas completas de contatos operacionais, registros detalhados de repasses financeiros internos e movimentações que sustentavam diferentes setores das atividades ilícitas. As análises preliminares realizadas pelos investigadores indicaram que a mulher exercia papel fundamental de coordenação e comunicação dentro da estrutura criminosa.
Papel estratégico na articulação territorial do crime organizado
Segundo informações da Polícia Civil, Ligia Sanches Moro era apontada como "sintonia geral" dentro da organização, um termo que designa posição de alta gerência e coordenação estratégica. As investigações realizadas ao longo das últimas semanas, que incluíram mapeamento de conversas estratégicas, análises técnicas de terminais telefônicos e diligências de campo, revelaram que ela atuava como elo ativo entre integrantes de Itanhaém, outras cidades do litoral paulista e contatos localizados em regiões mais distantes.
Essa ampla rede de conexões demonstrava a extensão territorial da atuação da investigada, reforçando sua importância dentro da estrutura hierárquica do crime organizado. As conversas extraídas dos aparelhos celulares apreendidos confirmaram seu papel como articuladora interna, responsável por organizar demandas operacionais e circular informações essenciais para o funcionamento da estrutura criminosa, com especial foco nas atividades relacionadas ao tráfico de drogas.
Defesa contesta legalidade da prisão em flagrante
Em nota oficial, a advogada Mikaela Nakatsu, que representa Ligia Sanches Moro, contestou a legalidade da prisão realizada pelas autoridades policiais. A defesa argumentou que, embora a investigação verse sobre tráfico de entorpecentes, nenhuma droga foi encontrada na residência da investigada durante as buscas.
"Ainda assim, procedeu-se à prisão sob o argumento construído a partir da análise preliminar de um aparelho celular, sem que houvesse situação objetiva de flagrância naquele momento", afirmou a advogada. Segundo sua argumentação, houve tentativa de sustentar a prisão com base em interpretações subjetivas de diálogos e em fatos pretéritos, o que não se confunde com estado de flagrante delito.
A defesa destacou ainda que a autoridade policial possuía mandado de busca e apreensão, mas não mandado de prisão, e que "a prisão em flagrante exige situação inequívoca e atual de cometimento de crime, o que não se verificou no presente caso". A advogada expressou confiança de que o Poder Judiciário analisará os fatos com serenidade e rigor técnico, assegurando que nenhuma medida constritiva seja mantida sem o devido respaldo legal.
Material apreendido segue para análise criminalística aprofundada
A mulher foi presa em flagrante e encaminhada ao sistema prisional, onde aguardará os desdobramentos processuais. Todo o material apreendido durante a operação, incluindo os celulares e os detalhados registros manuscritos, seguirá para análise minuciosa pelo Instituto de Criminalística, que buscará consolidar as evidências para subsidiar as próximas etapas da investigação.
A operação representa mais um capítulo no combate ao crime organizado no litoral paulista, destacando a sofisticação dos métodos investigativos empregados pelas autoridades policiais e a complexidade das estruturas criminosas que atuam na região. A prisão de uma figura apontada como de alta hierarquia dentro do PCC demonstra a continuidade dos esforços para desarticular redes criminosas que operam em múltiplos territórios.



