Benhur, líder criminoso procurado pela Interpol, é preso em casa de luxo em Santa Catarina
Benhur, procurado pela Interpol, preso em casa de luxo em SC

Benhur, líder criminoso procurado pela Interpol, é preso em casa de luxo em Santa Catarina

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul, através do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (DENARC) com apoio de policiais catarinenses, prendeu na tarde de quinta-feira (12) um dos homens mais procurados do país. A identidade do foragido, que ocupava o topo da lista vermelha do RS, não foi oficialmente divulgada pelas autoridades, mas apurações confirmam que se trata de Tiago Benhur Flores Pereira, conhecido como Benhur.

Considerado uma das principais lideranças da maior organização criminosa do estado gaúcho, Benhur estava foragido desde julho de 2024, quando rompeu a tornozeleira eletrônica que utilizava durante uma prisão domiciliar humanitária. Seu nome integrava tanto a lista dos Procurados do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) quanto a Difusão Vermelha da Interpol, que solicita sua localização e captura em 196 países ao redor do mundo.

Operação de captura em propriedade rural

A prisão ocorreu em uma residência de luxo localizada em área rural de Santa Catarina, após um ano e meio de intenso monitoramento pelas forças policiais. Segundo o diretor do Denarc, delegado Carlos Wendt, o imóvel onde o criminoso se escondia era amplo e situado próximo a uma região de mata densa.

"Não ofereceu resistência, a casa estava muito bem cercada. Levamos um grande efetivo, fizemos todo um cercamento na região da mata que tinha em volta, estávamos com um helicóptero também nos apoiando", relatou o delegado durante entrevista à imprensa.

No local da captura, os agentes policiais encontraram Benhur acompanhado de sua companheira e localizaram dois veículos de luxo, além de apreenderem diversos aparelhos de telefone celular. A polícia agora investiga a propriedade do imóvel onde o suspeito se refugiava.

Histórico criminal extenso e plano audacioso de fuga

Benhur acumula uma pena total superior a 150 anos de prisão por diversos crimes, incluindo:

  • Organização criminosa
  • Roubo majorado
  • Tráfico de drogas em larga escala
  • Associação para o tráfico
  • Receptação de bens

O criminoso exercia poder significativo dentro do sistema prisional, atuando como "prefeito" dos detentos do Pavilhão B do Presídio Central de Porto Alegre, posição que o colocava como representante dos presos perante a administração penitenciária.

Um dos episódios mais emblemáticos de sua carreira criminosa ocorreu em 2017, quando Benhur coordenou a construção de um túnel que serviria para uma fuga em massa do Presídio Central. A "Operação Túnel Santo", conduzida pelo Denarc, frustrou o plano milionário que visava libertar mais de mil presos da mesma facção.

O projeto contava com estrutura sofisticada, incluindo:

  1. Aquisição de um imóvel próximo ao presídio
  2. Contratação de escavadores especializados (chamados "tatus") com salários semanais
  3. Sistema de armazenamento da terra retirada dentro da propriedade
  4. Equipamentos de ar-condicionado portáteis para ventilação do túnel

A estrutura já possuía 47 metros de extensão quando foi descoberta, faltando aproximadamente 40 metros para alcançar o pavilhão dos detentos. Somente por este crime, Benhur foi condenado a 37 anos e oito meses de prisão.

Fuga durante prisão domiciliar humanitária

Benhur possuía ao menos cinco mandados de prisão ativos contra si, expedidos por diferentes Varas Judiciais do Rio Grande do Sul. Três deles eram mandados de prisão preventiva originados de Varas especializadas em Organização Criminosa, indicando que, mesmo enquanto cumpria pena, ele continuava sendo alvo de novas investigações policiais.

Em julho de 2024, alegando fortes dores na coluna por artrose e hérnia de disco, o criminoso foi submetido a uma cirurgia. A Vara de Execuções Criminais (VEC) de Porto Alegre concedeu-lhe então 30 dias de prisão domiciliar humanitária, argumentando que a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas não teria condições adequadas para o tratamento pós-operatório.

Poucos dias após iniciar o benefício, em 22 de julho, a tornozeleira eletrônica foi rompida. O último sinal do monitoramento foi registrado na cidade de Esteio, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Conforme o mandado de prisão expedido pela 1ª VEC em 25 de julho, a consequência da fuga foi a determinação imediata de seu retorno ao regime fechado.

O preso deve passar por audiência de custódia e a Polícia Civil já manifestou a intenção de solicitar sua transferência de volta ao Rio Grande do Sul. A operação policial continua em andamento, com análise detalhada dos telefones apreendidos, dos veículos e de outros elementos encontrados no local da captura.