Vítima mantém fé na namorada acusada de envenenamento com açaí em Ribeirão Preto
A Polícia Civil de São Paulo intensifica as buscas para prender Larissa de Souza Batista, jovem acusada de tentar assassinar o namorado, Adenilson Ferreira Parente, através de um copo de açaí envenenado com chumbinho. O crime ocorreu em fevereiro deste ano na cidade de Ribeirão Preto, e Larissa é considerada foragida desde segunda-feira, 13 de maio, quando a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público e decretou sua prisão preventiva.
Buscas sem sucesso e posicionamento das autoridades
Nesta terça-feira, 14 de maio, o delegado Fernando Bravo, responsável pelo caso, revelou que tanto Larissa quanto Adenilson não foram localizados durante as operações realizadas na residência da acusada e de familiares. "Os dois não foram encontrados ontem. Ele está sendo tratado como vítima. Vamos apurar todos os fatos e estamos tentando localizá-lo", afirmou o delegado, destacando que Adenilson continua sendo considerado vítima no processo investigativo.
A Polícia Civil já havia indiciado Larissa em uma primeira fase, após laudos periciais confirmarem a presença de chumbinho, uma substância tóxica, no copo de açaí consumido pela vítima. O Ministério Público, no entanto, solicitou apurações complementares e novos depoimentos, que foram finalizados e permitiram o aceite da denúncia pela Justiça.
Inocência mantida pela vítima e detalhes do crime
Adenilson Ferreira Parente foi hospitalizado após ingerir o açaí contaminado, mas sobreviveu ao envenenamento. Durante as investigações, ele expressou publicamente sua crença na inocência da namorada, mantendo essa posição mesmo após o indiciamento formal de Larissa. "Para nós já estava bem claro, por isso relatei em inquérito, o promotor quis alguns esclarecimentos, foram feitos os esclarecimentos, mas para a Polícia Civil a conclusão foi a mesma, continuamos com a conclusão de que ela foi a autora do crime", complementou o delegado Fernando Bravo.
O Ministério Público concluiu que Larissa somente não conseguiu concretizar o homicídio devido a circunstâncias alheias à sua vontade. "Total responsabilidade da Larissa e mais uma vez, dizendo, isentando por completo a responsabilidade de qualquer funcionário da loja, foi a Larissa que premeditou, foi a Larissa que colocou o chumbinho, foi a Larissa que tentou matar o Adenilson", declarou o promotor Eliseu Berardo Gonçalves.
Denúncia formal e qualificadores do crime
Na denúncia apresentada, o MP acusa Larissa de Souza Batista de tentativa de homicídio qualificado por meio cruel, uso de veneno e recurso que dificultou a defesa da vítima. A Justiça, ao acatar o pedido, considerou que a acusada possui ligações familiares em outro estado e responde por um crime com pena que pode atingir até 30 anos de prisão, fatores que aumentam significativamente os riscos de fuga.
Além disso, a Justiça identificou indícios de que Larissa tentou ocultar provas durante o processo investigativo. Segundo informações da Polícia Civil, ela "resetou" o celular poucos dias após o envenenamento, em fevereiro, ação interpretada como tentativa de apagar evidências digitais.
Reconstituição dos fatos e desenrolar do caso
O episódio ocorreu no dia 5 de fevereiro, quando Larissa foi a uma loja na Avenida Barão do Bananal, zona Leste de Ribeirão Preto, por volta das 16 horas, para retirar dois copos de açaí com morango, leite condensado e amendoim. Imagens de câmeras de segurança de vizinhos capturaram o momento em que o casal chegou de carro à residência.
Larissa carregava uma sacola com os dois copos e entregou um deles a Adenilson antes de adentrar a casa. A polícia sustenta que, ainda dentro do veículo, a acusada teria adicionado algo em um dos copos de açaí e descartado um saquinho plástico em via pública. Em seu depoimento, Larissa alegou que apenas acrescentou leite condensado, que foi fornecido à parte pela loja.
Nas gravações, é possível observar que, após a entrega do copo, Adenilson deixou o açaí no chão e saiu com o carro. Minutos depois, Larissa foi até a garagem, recolheu o copo e retornou para dentro da residência. Adenilson voltou ao local e permaneceu por aproximadamente 20 minutos.
Por volta das 20 horas, câmeras de segurança da loja onde o açaí foi adquirido registraram o casal retornando ao estabelecimento para reclamar da compra. Nesse momento, Adenilson já apresentava sintomas como queimação na garganta, tontura, sonolência intensa e gosto de óleo de motor de carro. Ele foi internado em seguida, mas se recuperou e sobreviveu à ingestão do chumbinho.
A defesa de Larissa de Souza Batista não se manifestou até o fechamento desta reportagem, mantendo o silêncio sobre as acusações. Durante as investigações, a acusada negou qualquer envolvimento no envenenamento do namorado, contradizendo as evidências apresentadas pelas autoridades policiais e pelo Ministério Público.



