Turista gaúcha presa por injúria racial em Salvador teve audiência de custódia marcada
Turista gaúcha presa por injúria racial em Salvador tem audiência

Audiência de custódia marcada para turista gaúcha presa por injúria racial em Salvador

A turista do Rio Grande do Sul, presa por suspeita de injúria racial em Salvador, teve sua audiência de custódia marcada após o incidente ocorrido no centro histórico da cidade. Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos, foi detida na quarta-feira, 21 de fevereiro, após proferir ofensas racistas e cuspir em uma vendedora ambulante negra na Praça das Artes, localizada no Pelourinho.

Contradição nas redes sociais e participação em eventos culturais

Curiosamente, dias antes do crime, a suspeita havia publicado em suas redes sociais fotos com baianas e integrantes do grupo Filhos de Gandhy, durante sua estadia em Salvador, que durava cerca de sete dias. Ela participou da Lavagem do Bonfim, uma festa popular que mescla elementos do catolicismo e religiões de matriz africana, e postou imagens com a legenda "O que que a baiana tem".

As baianas são mulheres negras que representam uma tradição cultural profundamente ligada à história, religião, culinária e identidade baiana. Já o afoxé Filhos de Gandhy, criado em 1949, é um símbolo de resistência negra que prega paz e valorização da cultura afro-brasileira. A turista também curtiu o show de Timbalada, banda que une ancestralidade e inovação na música baiana.

Detalhes do crime e comportamento discriminatório

O crime ocorreu durante um evento gratuito no Pelourinho. Em entrevista à TV Bahia, a vítima, identificada como Hanna, relatou que trabalhava no bar do evento quando foi xingada de "lixo" pela suspeita. "Eu fiz uma venda e retirei o balde de um cliente. No momento que eu passei, ela falou: 'Vai mais um lixo'. Eu questionei e ela reafirmou que eu era um lixo e deu uma 'escarrada' em mim", detalhou a comerciante.

Segundo Hanna, a turista olhava nos seus olhos e dizia: "Eu sou branca". Após o incidente, a suspeita fugiu, mas foi localizada e presa pela Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin).

Conduta persistente e investigações em andamento

Na delegacia, Gisele continuou a adotar uma conduta discriminatória, solicitando atendimento exclusivo por um delegado de pele branca. As oitivas foram realizadas pela equipe da Decrin, que conduz a investigação. A suspeita permanece custodiada e aguarda a audiência de custódia, estando à disposição da Justiça.

O caso destaca a gravidade do crime de injúria racial, recentemente equiparado ao racismo por lei, e levanta questões sobre a contradição entre a participação em eventos culturais afro-brasileiros e atitudes racistas. A defesa de Gisele ainda não foi localizada para comentários, conforme tentativas do g1.