Três suspeitos de matar genro de Castor de Andrade vão a júri popular no Rio
Três suspeitos de matar genro de Castor vão a júri no Rio

Três suspeitos de execução de genro de Castor de Andrade enfrentam júri popular no Rio de Janeiro

Nesta quinta-feira (9), três indivíduos acusados de envolvimento direto no assassinato do bicheiro Fernando Iggnácio, genro do lendário contraventor Castor de Andrade, serão submetidos a julgamento pelo 1º Tribunal do Júri do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O crime, ocorrido em novembro de 2020, continua a reverberar nos círculos do crime organizado carioca.

Os réus que enfrentarão o júri

Os três homens que terão seus destinos decididos por um júri popular são:

  • Rodrigo Silva das Neves: Identificado como miliciano, foi capturado em janeiro de 2021 em uma pousada na cidade de Canavieiras, localizada no sul da Bahia, onde se encontrava foragido.
  • Otto Samuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro: Irmão de Pedrinho e ex-policial militar, foi preso em fevereiro de 2023 na cidade de Santa Terezinha de Itaipu, na região oeste do Paraná.
  • Pedro Emanuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro, conhecido como Pedrinho: Foi detido no Paraguai em janeiro de 2025, completando o trio que responderá perante a justiça.

Vale destacar que um quarto suspeito, Ygor Rodrigues Santos da Cruz, o Farofa, apontado como matador de aluguel, foi encontrado morto em novembro de 2022 no bairro do Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro.

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O mandante preso e ausente do júri

Embora os três réus enfrentem o júri, a figura central do caso, Rogério Andrade, sobrinho de Castor de Andrade e apontado pelas investigações como mandante do crime, não será levado a julgamento nesta sessão. Andrade encontra-se preso desde outubro de 2024, inicialmente no Rio de Janeiro e posteriormente transferido para o Presídio Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.

As investigações do Ministério Público indicam que Rogério Andrade ordenou a execução através de um aplicativo de mensagens criptografadas. Em mensagens interceptadas, ele teria dito: "O cabeludo é o que interessa", em referência à vítima. O Superior Tribunal Federal (STF) já negou pedidos de liberdade apresentados por sua defesa, mantendo-o sob custódia enquanto responde a um processo em separado.

Relembrando o crime brutal

Fernando Iggnácio foi executado de forma brutal em 10 de novembro de 2020. A vítima havia acabado de desembarcar de um helicóptero vindo de Angra dos Reis, na Costa Verde, e caminhava em direção ao seu carro dentro de um heliporto no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio, quando foi alvejada por tiros de fuzil 556.

Iggnácio não era uma figura qualquer: como genro e herdeiro de Castor de Andrade, ele era uma peça-chave no império do jogo do bicho. Sua morte é vista como mais um capítulo sangrento na longa guerra pelo controle do espólio deixado por Castor, que faleceu em 1997.

Outros envolvidos e a teia criminal

Além dos já mencionados, outras pessoas foram presas e respondem por sua suposta participação. Márcio Araújo de Souza, policial militar reformado, foi apontado como o contratante do quarteto de executores e se entregou à polícia em fevereiro de 2021. Ele também responde pelo crime em processo separado.

Gilmar Eneas Lisboa, ex-PM, foi detido por alegadamente monitorar os passos da vítima. Segundo o Ministério Público, os trabalhos de vigilância começaram pelo menos oito meses antes do crime, indicando um planejamento meticuloso.

Histórico de violência e disputa familiar

A briga pelo poder dentro da família de Castor de Andrade tem um longo e sangrento histórico, com quase trinta anos de atentados e mortes. Após a morte de Castor, o controle do império do bicho ficou inicialmente com seu filho, Paulo Roberto de Andrade (Paulinho), e com Fernando Iggnácio.

Rogério Andrade, no entanto, considerava ter direito à herança e iniciou uma disputa territorial com ambos. Paulinho foi assassinado em 1998, crime atribuído a Rogério, que então assumiu os negócios do primo e começou a avançar sobre os de Iggnácio.

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Investigações da Polícia Federal revelam que a disputa entre Rogério Andrade e Fernando Iggnácio, entre 1999 e 2007, resultou em aproximadamente cinquenta mortes, incluindo policiais acusados de prestar serviços para os contraventores. O próprio Rogério sobreviveu a uma tentativa de assassinato em 2001.

Em abril de 2010, a violência atingiu um novo patamar quando o filho de Rogério, um jovem de 17 anos, morreu em um atentado a bomba na Barra da Tijuca. Rogério sempre acusou Fernando Iggnácio de ser o responsável por essa tragédia.

A defesa e as alegações

A defesa de Rodrigo Silva das Neves, através do advogado Dr. Luiz Felipe Alves e Silva, emitiu uma nota negando veementemente as acusações. A defesa afirmou que seu cliente não tem qualquer envolvimento com Rogério Andrade e classificou a investigação da Delegacia de Homicídios como "uma farsa".

No comunicado, a defesa alega que Rodrigo Neves foi incluído no inquérito "única e exclusivamente para a investigação conseguir seu propósito de tentar buscar o envolvimento de um mandante", e expressa confiança na absolvição durante o julgamento pelo júri.

Até o momento da última atualização desta reportagem, a equipe do g1 não conseguiu estabelecer contato com os advogados dos demais envolvidos no caso, deixando suas versões ainda não divulgadas publicamente.