Traficante do PCC condenado a 126 anos quebra tornozeleira e foge após soltura irregular
Um dos maiores traficantes do Brasil, Gerson Palermo, conhecido como "Germano", quebrou sua tornozeleira eletrônica e fugiu após ter sua liberdade autorizada de forma irregular. Chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC), ele foi condenado a 126 anos de prisão e deixou o presídio de segurança máxima em Campo Grande pela porta da frente às vésperas do feriado de Tiradentes, em 2020.
Liberdade concedida por decisão judicial questionada
Palermo teve a liberdade autorizada por decisão do desembargador aposentado Divoncir Schreiner Maran. O magistrado foi punido nesta terça-feira (10) com aposentadoria compulsória pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O traficante foi condenado por tráfico de drogas, associação para o tráfico e pelo sequestro de uma aeronave em 2000.
Ele ficou em regime fechado por três anos. À época da soltura, o desembargador autorizou a prisão domiciliar sob a justificativa de problemas de saúde. Segundo o CNJ, no entanto, não havia laudo médico que comprovasse a condição alegada. Após deixar o presídio, Palermo rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu. Ele segue na lista de procurados do Sistema Único de Segurança Pública.
Condenações e histórico criminal do traficante
Palermo foi condenado a 59 anos de prisão por tráfico de drogas e associação para o tráfico, crimes investigados durante a Operação All In, deflagrada pela Polícia Federal em março de 2017. A ação ocorreu em seis estados e resultou na apreensão de 810 quilos de cocaína.
As investigações apontaram que a droga era transportada da Bolívia até Corumbá (MS) por aviões e, depois, levada por caminhões dentro do Brasil. O grupo usava aeronaves, caminhões e veículos registrados em nome de terceiros, segundo a Polícia Federal.
Sequestro de avião que resultou em condenação adicional
Além dessa condenação, Palermo recebeu outra pena de 66 anos e 9 meses de prisão pelo sequestro de um Boeing 727 da empresa Vasp, ocorrido em agosto de 2000. Ao todo, as penas somam mais de 126 anos de detenção.
Segundo a investigação, o sequestro aconteceu cerca de 20 minutos após a decolagem do avião do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu, com destino a Curitiba. A aeronave foi forçada a pousar em Porecatu, no Paraná. No local, a quadrilha roubou nove malotes do Banco do Brasil com cerca de R$ 5,5 milhões.
Punição ao desembargador por decisão irregular
O Conselho Nacional de Justiça puniu o desembargador Divoncir Schreiner Maran com aposentadoria compulsória após concluir que a decisão que concedeu prisão domiciliar a Palermo extrapolou os limites da atuação judicial.
Segundo o relator do Processo Administrativo Disciplinar, conselheiro João Paulo Schoucair, a concessão do benefício ocorreu sem comprovação médica e violou deveres da magistratura. O CNJ também apontou que investigações da Polícia Federal identificaram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada do magistrado.
Ao final do julgamento, o relator afirmou que os fatos analisados demonstram violação aos deveres de imparcialidade, prudência e decoro exigidos de integrantes do Judiciário. A situação expõe falhas graves no sistema de justiça que permitiram a fuga de um criminoso de alta periculosidade.