Testemunha afirma que Pedro Turra chamou amigos para agredir jovem em Águas Claras
Testemunha: Turra chamou amigos para agredir jovem em Águas Claras

Defesa pede reclassificação de agressão de Pedro Turra como tentativa de homicídio

A defesa de Arthur Azevedo Valentim, vítima de uma das agressões atribuídas ao ex-piloto Pedro Turra Basso, protocolou pedido junto à Justiça do Distrito Federal para que o caso seja reclassificado como tentativa de homicídio. O requerimento se fundamenta em depoimento prestado por uma jovem testemunha em outro inquérito, onde ela descreve um padrão de comportamento violento do ex-piloto e sua declarada intenção de "bater para matar" durante confrontos físicos.

Depoimento revela detalhes chocantes da agressão

O depoimento obtido com exclusividade pelo g1 revela que a testemunha estava acompanhando Pedro Turra no dia do incidente, ocorrido em uma praça de Águas Claras. Segundo seu relato, o ex-piloto identificou a presença de Arthur Valentim no local e imediatamente decidiu chamar amigos para auxiliá-lo na agressão. "Ele não queria parar de bater, ele queria bater para matar", afirmou a testemunha em seu depoimento às autoridades policiais.

A situação teria se originado de um mal-entendido envolvendo Lauanny Faria Braier Borges, namorada de Turra na época. A testemunha narrou que tentou dissuadir o ex-piloto da violência, mas ele respondeu com ameaças explícitas: "Se eu pego esse moleque, eu mato. Ele sempre falava isso: 'Se eu pego alguém para bater, eu pego para matar'".

Mensagem de alerta e agressão premeditada

Preocupada com a segurança de Valentim, a testemunha chegou a enviar uma mensagem de alerta minutos antes da agressão. Um print obtido pela reportagem mostra uma tentativa de ligação e duas mensagens enviadas entre 19h26 e 19h30 daquele dia, com o texto: "Acabei de te ver. Corre."

"O Pedro já ficou louco para ir pegar ele na porrada. Chamou todos os amigos, um monte de amigo dele. E aí, chegaram ele e um monte de menino, assim. Encurralaram o Arthur", descreveu a depoente em seu testemunho oficial.

Mata-leão e intervenção da testemunha

Segundo o relato, após uma conversa inicial que parecia ter resolvido o desentendimento, Valentim virou as costas para se retirar quando foi surpreendido com um golpe de mata-leão. A testemunha atribuiu o ataque renovado a um comentário da namorada de Turra: "A Lauanny chegou no ouvido do Pedro e falou: 'Você vai fazer de novo isso de falar e não fazer?'. Mexeu com o ego dele. Então ele foi correndo e pegou o Arthur Valentim no mata-leão."

A agressão só teria cessado quando a própria testemunha interveio, puxando Turra pelos cabelos e afirmando falsamente que a polícia estava chegando. Esta intervenção gerou revolta no grupo, que teria repreendido a testemunha por "atrapalhar" a briga. "Ele brigou, ele e a Lauanny. Veio com o grupinho todo brigar comigo, falando que eu atrapalhei a briga, que eu não devia ter me metido", relatou.

Versão da vítima e tramitação processual

O boletim de ocorrência registrado em 28 de junho de 2025 traz a versão de Arthur Valentim sobre os fatos. A vítima relata que, após cerca de dez minutos de conversa com Turra e quatro amigos, o ex-piloto teria dito que "estava tudo certo" entre eles. Ao virar de costas para ir embora, porém, Valentim foi surpreendido com um soco nas costelas, derrubado no chão e submetido ao mata-leão.

O jovem afirma ter conseguido evitar o enforcamento completo, mas recebeu "diversos socos no rosto" durante aproximadamente cinco minutos, até que os amigos de Turra interviram e o contiveram, permitindo que a vítima fugisse correndo.

O processo atualmente tramita no Juizado Especial Criminal de Taguatinga e aguarda análise da Justiça e manifestação do Ministério Público do Distrito Federal. A defesa de Pedro Turra não se manifestou sobre as novas alegações até o fechamento desta reportagem.

Vale destacar que Pedro Turra já responde a processo por homicídio após a morte de Rodrigo Castanheira, de 16 anos, em outra briga de rua, e cumpre prisão preventiva no Centro de Detenção Provisória enquanto aguarda julgamento.