Técnicos de enfermagem presos por homicídios em UTI do DF: desinfetante injetado em veias
Técnicos presos por matar pacientes com desinfetante em UTI do DF

A Polícia Civil do Distrito Federal efetuou a prisão de três técnicos de enfermagem suspeitos de envolvimento direto em três homicídios ocorridos dentro da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Anchieta, localizado em Taguatinga. As vítimas, com idades de 75, 63 e 33 anos, faleceram enquanto estavam internadas sob cuidados médicos, em um caso que chocou a comunidade e levantou graves questões sobre segurança hospitalar.

Detalhes macabros da investigação: medicamentos e desinfetante

De acordo com as investigações conduzidas pela polícia, os pacientes morreram após a aplicação irregular de medicamentos e, em um dos episódios mais chocantes, até de desinfetante diretamente na veia. O principal suspeito é um técnico de enfermagem de 24 anos, que atuava na unidade. Conforme explicou o delegado Wisllei Salomão, da Coordenação de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa, o medicamento utilizado, quando administrado fora dos protocolos médicos estabelecidos, pode causar parada cardíaca em questão de segundos.

Modus operandi revelado: acesso ao sistema e simulação

As prisões, realizadas nos dias 12 e 15, basearam-se em imagens de câmeras de segurança e na minuciosa análise de prontuários médicos. A polícia descobriu que o suspeito principal acessava o sistema hospitalar, que era deixado aberto por médicos, prescrevia medicamentos em nome deles, retirava os produtos na farmácia, escondia as seringas no jaleco e aplicava as substâncias nos pacientes. Após as aplicações, ele realizava massagens cardíacas para simular tentativas de reanimação diante da equipe médica, em um ato de extrema frieza.

Em um dos casos específicos, o suspeito aplicou quatro doses do medicamento em uma paciente, que sofreu sucessivas paradas cardíacas, mas sobreviveu inicialmente. Com o fim do remédio, ele teria injetado desinfetante retirado diretamente da pia do leito. “Ele encheu cerca de 13 seringas com o desinfetante e injetou diretamente na veia da paciente, o que acabou causando o óbito”, afirmou o delegado Salomão em entrevista ao Jornal Nacional, destacando a brutalidade do ato.

Conivência e acobertamento por outras técnicas

A investigação também apontou a conivência de duas outras técnicas de enfermagem, que teriam acobertado as ações do principal suspeito. Uma delas, de 28 anos, já havia trabalhado em outros hospitais, enquanto a outra, de 22 anos, estava em seu primeiro emprego. Ambas foram presas. Imagens de segurança mostram as duas nos quartos das vítimas, observando os procedimentos e vigiando a porta para impedir a entrada de outras pessoas, além de uma delas ter auxiliado na retirada do medicamento na farmácia do hospital.

Perícias e reação do hospital

Para a diretora do IML, Márcia Reis, as perícias realizadas indicam uma deterioração súbita do quadro clínico das vítimas, sem qualquer agravamento gradual, o que reforça fortemente a suspeita de ação intencional. As mortes teriam ocorrido entre novembro e dezembro de 2025, com aplicações registradas nos dias 17 de novembro e 1º de dezembro.

O Hospital Anchieta informou que, ao identificar circunstâncias atípicas nos três óbitos registrados na UTI, instaurou por iniciativa própria um comitê interno de análise. Em menos de 20 dias, a instituição reuniu evidências envolvendo os técnicos de enfermagem, demitiu os funcionários e comunicou o caso às autoridades. Em nota, o hospital afirmou que entrou em contato com as famílias das vítimas para prestar esclarecimentos de forma responsável e acolhedora, e destacou que o caso tramita sob segredo de Justiça, essencial para preservar as investigações.

Investigações ampliadas e órgãos envolvidos

A Polícia Civil agora investiga se há outras vítimas, tanto no Hospital Anchieta quanto em outras instituições públicas e privadas onde os suspeitos já trabalharam. A apuração envolve cerca de 20 laudos periciais e busca reconstruir uma linha do tempo extensa para compreender a total extensão dos crimes. O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) informou que tomou conhecimento do caso pela imprensa, acompanha a situação de perto e adotará as medidas cabíveis dentro de suas atribuições legais.

A motivação por trás dos crimes ainda permanece sob investigação, com as autoridades trabalhando para desvendar os reais motivos que levaram a tais atos de violência dentro de um ambiente que deveria ser de cuidado e proteção à vida.