Suspeito de envolvimento em roubo milionário à biblioteca paulistana é posto em liberdade pela Justiça
A Justiça do Estado de São Paulo determinou a soltura de um dos acusados de participar do roubo à Biblioteca Mário de Andrade, ocorrido em dezembro de 2025. Luís Carlos Nascimento, conhecido como "Magrão", suspeito de ter fornecido apoio logístico aos assaltantes, foi liberado do Centro de Detenção Provisória do Belenzinho, na Zona Leste da capital paulista, no final da tarde desta segunda-feira (6).
Investigação aponta participação em crime contra patrimônio cultural
Segundo as investigações policiais, Nascimento teria sido um dos responsáveis pela fuga dos dois homens que invadiram a biblioteca e subtraíram treze obras de arte de valor inestimável. O acervo roubado inclui oito gravuras do renomado artista francês Henri Matisse e cinco obras do consagrado pintor brasileiro Candido Portinari.
A identificação do suspeito ocorreu por meio das câmeras do sistema Smart Sampa. Nas imagens, ele aparece caminhando ao lado de Felipe Quadra, um dos assaltantes presos, que carregava as obras roubadas. Essa evidência visual permitiu aos investigadores individualizar sua suposta participação no crime.
Decisão judicial fundamentada na ausência de riscos
O Tribunal de Justiça de São Paulo analisou o caso e entendeu que Luís Carlos Nascimento não oferece perigo à sociedade nem à continuidade das investigações. Com base nessa avaliação, os magistrados determinaram sua liberdade, permitindo que ele responda ao processo em liberdade.
Detalhes do roubo que chocou São Paulo
A Biblioteca Mário de Andrade, considerada a segunda maior do país e a maior biblioteca pública municipal de São Paulo, foi alvo de uma ação criminosa cuidadosamente planejada. Dois homens armados invadiram o local na manhã de domingo, 7 de dezembro de 2025, renderam uma vigilante e um casal de idosos que visitava o espaço cultural, e fugiram com as valiosas obras de arte.
As peças roubadas pertenciam à exposição "Do livro ao museu: MAM São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade". Os ladrões seguiram até a cúpula de vidro do edifício, onde colocaram documentos e os oito quadros em uma sacola de lona, escapando pela saída principal antes que a polícia conseguisse interceptá-los.
Vídeos exclusivos revelam movimentação dos criminosos
A TV Globo obteve acesso exclusivo às imagens do sistema de monitoramento SmartSampa, que mostram os momentos posteriores ao roubo. Nas gravações, é possível observar:
- Uma van azul estacionando na Rua João Adolfo, no Centro Histórico de São Paulo, às 10h43
- Dois homens descendo do veículo e caminhando pela calçada
- O retorno dos indivíduos ao veículo um minuto depois
- Um dos suspeitos, vestindo camiseta clara, retirando duas telas da van e caminhando com elas
- O outro suspeito saindo do veículo com um papel nas mãos
Em outro ângulo das câmeras, o homem de camiseta clara aparece deixando três telas encostadas no muro de uma calçada no cruzamento da Rua João Adolfo com a Alfredo Gagliotti, antes de correr e atravessar a rua. Ainda não está claro se outra pessoa retirou as obras desse local ou se os próprios ladrões as recuperaram posteriormente.
Valor das obras e alcance internacional do caso
Especialistas em arte estimam que as obras roubadas podem valer até R$ 1 milhão. Diante da gravidade do crime contra o patrimônio cultural, a Interpol foi acionada para evitar que as peças deixem o território nacional e circulem no mercado internacional de arte ilícita.
Importância histórica dos artistas visados
As obras subtraídas representam parte significativa da produção de dois mestres das artes visuais:
- Candido Portinari: Artista plástico brasileiro considerado um dos mais importantes pintores nacionais de todos os tempos, com reconhecimento internacional. Em 2007, outras obras suas ("O lavrador de café") foram roubadas do MASP.
- Henri Matisse: Pintor, escultor, desenhista e gravurista francês, um dos maiores nomes da arte moderna e líder do movimento Fauvista, conhecido pelo uso revolucionário de cores vibrantes e formas expressivas.
O roubo à Biblioteca Mário de Andrade continua sob investigação das autoridades policiais, que buscam recuperar as obras e identificar todos os envolvidos na elaboração e execução do crime.



