Suspeito de estrangular jovem em loja de Santana é preso; caso mobiliza Amapá
A morte brutal de Ana Paula Viana Rodrigues, de 19 anos, estudante de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Amapá (Unifap) e funcionária de uma loja de roupas em Santana, causou profunda comoção no estado. O crime, ocorrido na segunda-feira (9), reacendeu questionamentos sobre os índices de violência e as falhas no sistema de justiça penal. O principal suspeito, Cláudio Pacheco, conhecido como “Coringa”, foi preso poucas horas após o assassinato. A jovem foi sepultada na terça-feira (10), no Cemitério Municipal de Santana, em meio a um clima de luto e indignação.
Detalhes do crime e prisão do suspeito
Ana Paula foi encontrada sem vida dentro do depósito da loja onde trabalhava, no centro de Santana. A proprietária do estabelecimento percebeu movimentações suspeitas através das câmeras de segurança e acionou as autoridades. A perícia constatou que a jovem morreu por asfixia mecânica, resultado de um estrangulamento, apresentando sinais de luta corporal que indicam tentativa de defesa. Marcas de arranhões e resistência foram visíveis no corpo da vítima.
Os investigadores encontraram um fio enrolado no pescoço de Ana Paula, acreditando que o objeto tenha sido usado para auxiliar no estrangulamento. Manchas de tinta nas mãos e no corpo da vítima sugerem que o agressor tentou encobrir suas impressões digitais com material disponível no local. As imagens das câmeras de segurança capturaram o suspeito entrando na loja e fugindo posteriormente em uma bicicleta.
Cláudio Pacheco, de 42 anos, foi preso em uma área de pontes do bairro Elesbão, em Santana, após uma ação conjunta das forças de segurança. A polícia localizou inicialmente o celular da vítima em um ponto de venda de drogas e, com auxílio de gravações de estabelecimentos comerciais, conseguiu traçar a rota de fuga do acusado. As roupas utilizadas no crime foram encontradas em um matagal. Durante a prisão, a companheira de Pacheco tentou acobertá-lo, alegando que os arranhões em seu corpo eram resultado de uma briga entre o casal.
Investigadores descartam feminicídio e apontam latrocínio
A Polícia Civil do Amapá afastou a hipótese de feminicídio, classificando o caso como latrocínio – homicídio seguido de roubo. O delegado Anderson Ramos, responsável pelas investigações, explicou que para configurar feminicídio seria necessário menosprezo à condição da mulher ou contexto de violência doméstica, elementos ausentes neste episódio. Pacheco confessou que estava sob efeito de drogas e trocou o celular da vítima por seis pedras de crack em uma boca de fumo em Santana.
“Ele já estava sob efeito de drogas e claramente fez aquele roubo para poder adquirir drogas. Fica bem caracterizado que é um latrocínio”, afirmou o delegado. Até o momento, não há indícios claros de premeditação, sendo avaliada a possibilidade de uma ação oportunista motivada pelo roubo.
Histórico criminal do suspeito e falhas no sistema penal
Cláudio Pacheco possui passagens pela polícia por um homicídio cometido contra sua vizinha em 2018, pelo qual foi condenado a 13 anos e 6 meses de prisão em regime fechado. Apesar da sentença, ele estava em liberdade quando assassinou Ana Paula. O Ministério Público do Amapá destacou que o acusado deveria estar preso, pois ainda tem mais de nove anos de pena a cumprir.
O promotor de Justiça Fabiano da Silveira Castanho revelou que Pacheco saiu do presídio em outubro de 2025 para um trabalho externo e não retornou, sendo considerado foragido. O sistema penitenciário o registrava como “aguardando captura”, mas não houve comunicação oficial da fuga ao Judiciário, nem registro formal da autorização para o trabalho externo. Essas falhas, segundo o promotor, atrasaram medidas como a regressão do regime e a emissão de mandado de prisão.
Andamento das investigações e manifestação por justiça
As investigações continuam sob responsabilidade da Polícia Civil do Amapá, com análise de objetos recolhidos, roupas do suspeito, imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas. Pacheco passou por audiência de custódia, teve a prisão em flagrante convertida para preventiva e foi encaminhado ao Instituto de Administração Penitenciária do Estado (Iapen).
Uma semana após o crime, moradores de Santana se reuniram na Praça Cívica Francisco Nobre em um ato por justiça. Vestidos de rosa e preto, familiares, amigos e vizinhos transformaram o espaço em cenário de luto e homenagem, carregando cartazes e compartilhando lembranças da jovem. Marcos Castro, namorado de Ana Paula, fez um emocionado apelo: “Ela não foi a primeira e, infelizmente, pode não ser a última até que haja mudança. Espero que ela não seja só mais um número, só mais uma estatística de um crime horrível. Quero justiça por ela e por todas as mulheres”.
O caso de Ana Paula Rodrigues não apenas expõe a violência que assola o Amapá, mas também evidencia graves deficiências no sistema penal, levantando debates urgentes sobre segurança pública e a eficácia das medidas de reinserção social.
