Mulher suspeita de sequestro em shopping de Salvador passa por audiência de custódia
A mulher que foi sequestrada junto com a irmã e a mãe no estacionamento do Salvador Shopping, na capital baiana, revelou detalhes chocantes sobre o crime em entrevista à TV Bahia. O sequestro ocorreu no domingo (15), quando as três familiares foram juntas até o centro de compras. Elas só foram resgatadas 12 horas depois, em uma casa abandonada no bairro de Plataforma, região do subúrbio de Salvador, localizada a 17 km do shopping.
"Eu ainda fiz o movimento de correr, mas quando olhei ele [o suspeito] gritou que iria 'estourar' a cabeça da minha irmã. Ela estava com a arma pontada na cabeça da minha irmã", contou a vítima, que preferiu não se identificar. As vítimas foram abordadas no estacionamento durante a tarde e obrigadas a entrar no próprio carro, um veículo de luxo. Os suspeitos também entraram no veículo e as levaram até o bairro de Plataforma.
Condições precárias e ameaças psicológicas
Ao chegar na região, elas foram levadas para uma casa abandonada que não tinha eletricidade, água, piso e banheiro. No local, foram obrigadas a fazer diversas transferências bancárias sob ameaça. "É uma dor que não é material, porque o material se repara. Deixaram mágoas, marcas psicológicas, que faz com que a gente perca a confiança no homem", desabafou a vítima.
De acordo com uma das vítimas, um total de seis homens participaram do sequestro. Eles ainda não foram encontrados pela polícia. Apenas uma mulher, identificada como Emile Quessia Oliveira, apontada como uma das organizadoras da ação, foi presa e passou por audiência de custódia.
Desaparecimento percebido por familiar
O advogado das vítimas, Cícero Dantas, explicou que o desaparecimento foi percebido pelo filho de uma delas, que havia marcado de encontrar as três familiares no shopping. "Nenhum dos três telefones atendiam, todos os telefones tinham o mesmo comportamento: recusavam a ligação ou deixavam chamar. A partir daí, ele percebeu que tinha alguma coisa errada", relatou o advogado.
O advogado ainda destacou que os suspeitos usaram principalmente ameaças psicológicas para obrigar as vítimas a fazerem as transferências. Eles as obrigaram a falar nomes de parentes para que o resgate fosse solicitado, aumentando o trauma emocional.
O carro das vítimas foi apreendido pelas autoridades como parte das investigações. A polícia continua a busca pelos outros suspeitos envolvidos no crime, que chocou a comunidade local e levantou preocupações sobre a segurança em áreas públicas como shoppings.



