STF determina soltura de delegado investigado no caso Gritzbach, envolvendo PCC
STF solta delegado do caso Gritzbach, ligado ao PCC

STF determina soltura de delegado investigado no caso Gritzbach, envolvendo PCC

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (31) a soltura do delegado Fábio Baena Martin, investigado por suspeitas de corrupção e extorsão no âmbito do caso Gritzbach. A decisão atende a um pedido de habeas corpus e substitui a prisão preventiva por medidas cautelares, marcando um novo capítulo neste processo que escancarou o envolvimento de policiais com facções criminosas.

Medidas cautelares impostas ao delegado

Entre as medidas determinadas pelo ministro estão o afastamento das funções públicas, o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de contato com outros investigados e testemunhas e o pagamento de uma fiança no valor de R$ 100 mil. Baena foi citado em delação premiada do empresário Vinícius Gritzbach, que colaborou com investigações sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC) antes de ser morto em 2024, na cidade de Guarulhos.

Fundamentação da decisão do STF

Ao analisar o caso, Gilmar Mendes avaliou que não há, neste momento, fundamentos suficientes para manter a prisão. Ele ressaltou que as acusações se apoiam principalmente na delação, sem um conjunto robusto de provas autônomas que a corroborem. O ministro também considerou o fato de a fase de instrução já ter sido encerrada, o que reduz a possibilidade de interferência na apuração.

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Além disso, destacou que o delegado não tem antecedentes criminais e responde por acusações que não envolvem violência. Na decisão, o magistrado reforçou que a prisão preventiva deve ser aplicada apenas quando houver justificativas concretas, o que, segundo ele, não ficou demonstrado neste caso. Com isso, Fábio Baena Martin passa a responder ao processo em liberdade, condicionado ao cumprimento das medidas impostas.

Contexto da prisão e investigações

O delegado Fábio Baena foi preso em dezembro de 2024 numa operação conjunta da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público (MP) contra corrupção policial, após ser delatado por Vinicius Gritzbach antes de o empresário ser assassinado em novembro. Gritzbach foi morto a tiros no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, com câmeras de segurança registrando o crime.

Dois homens estão presos pela força-tarefa suspeitos de participarem da execução do empresário, com ligações apontadas para o Primeiro Comando da Capital (PCC). A força-tarefa, composta por autoridades policiais, também investiga se agentes da Polícia Civil estão envolvidos no homicídio de Gritzbach.

Histórico das denúncias e delação

Em 2023, o empresário havia denunciado Baena e outros policiais civis por extorsão. Em delação premiada dada ao Ministério Público, Gritzbach afirmou que os agentes cobraram dinheiro dele para não responsabilizá-lo pelos assassinatos de dois integrantes da facção criminosa PCC: Anselmo Becheli Santa Fausta, o "Cara Preta", e Antônio Corona Neto, o "Sem Sangue", mortos a tiros em 2021 na capital paulista.

Gritzbach, que lavava dinheiro do tráfico de drogas para a quadrilha, foi investigado pela Polícia Civil por suspeita de ser o mandante dos assassinatos. Baena era delegado do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) quando investigou o empresário pelas mortes. Segundo Gritzbach, o policial e seus subordinados cobraram propina para não o responsabilizar, mas como não pagou, foi indiciado.

Contudo, quando Gritzbach foi ouvido pelo MP, ele decidiu delatar o delegado e os outros policiais, acusando-os de extorsão. Uma semana antes de ser morto, o empresário voltou a denunciar os agentes na Corregedoria da Polícia Civil, alegando que pediram R$ 40 milhões em propina. Essas informações chegaram à PF, que realizou a operação.

Operação Tacitus e alcance do esquema

A "Operação Tacitus" é conduzida pela PF e promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, com apoio da Corregedoria da Polícia Civil. Ela ocorre na capital paulista e nas cidades de Bragança Paulista, Igaratá e Ubatuba, no interior do estado.

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A Justiça decretou prisões temporárias, buscas e apreensões, bloqueio de contas bancárias e sequestro de bens. De acordo com a PF, o esquema criminoso envolve manipulação e vazamento de investigações, venda de proteção a criminosos e corrupção para beneficiar lavagem de dinheiro do PCC, com movimentações superiores a R$ 100 milhões desde 2018.

Acusações e defesa dos investigados

Os investigados respondem por crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva e ocultação de capitais, com penas que podem somar 30 anos de reclusão. Os policiais civis são suspeitos de colaborar com o PCC, garantindo proteção e facilitando lavagem de dinheiro por meio de compra de imóveis via intermediários ou empresas de fachada, além de desviar bens apreendidos.

O advogado Daniel Bialski, que defende Baena e outro policial preso, informou que considera a prisão de seus clientes abusiva, mas só vai se pronunciar após acesso à decisão judicial. A operação foi batizada de Tacitus, termo latino para "silencioso", em alusão à atuação da organização criminosa.