Uma manhã de luto e despedidas marcou esta terça-feira (6) em Guaranésia, no Sul de Minas Gerais. Dezenas de pessoas se reuniram para o funeral dos jovens Pedro Henrique Prado, de 19 anos, e Guilherme Macedo de Almeida, de 20 anos. Eles são duas das quatro vítimas encontradas mortas em Santa Catarina após sete dias desaparecidos.
Último adeus e pedidos por justiça
Os corpos de Guilherme e Pedro chegaram ao Velório Municipal às 6h30. Eles foram velados juntos, em caixões lacrados, identificados com fotografias levadas pelos familiares. Às 10h, um cortejo formado por parentes, amigos e moradores seguiu até o cemitério da cidade para os sepultamentos.
O clima era de profunda dor. Geraldo de Almeida, pai de Guilherme, relembrou as últimas palavras do filho antes da viagem fatal para Santa Catarina. “Ele falou: 'pai, eu te amo, fica com Deus. Vou trabalhar, ganhar dinheiro para cuidar de você e da mãe quando estiverem velhos.' Agora eu não posso nem ver o rosto dele; o caixão está lacrado”, lamentou.
A irmã de Pedro, Ana Carolina Prado dos Santos, descreveu o sofrimento da família. “Minha mãe acorda chorando e dorme chorando. Para mim, é um sentimento muito ruim, porque o Pedro fazia de tudo para me ver feliz”, relatou a estudante.
Famílias manifestam descrença na justiça brasileira
Durante a cerimônia, os familiares voltaram a exigir respostas e punição para os culpados. Laís Macedo de Almeida, irmã de Guilherme, expressou sua desconfiança no sistema. “Eu afirmo e reafirmo: a justiça brasileira é falha. Acredito que vai ser mais um caso arquivado. A única coisa que eu espero é a justiça de Deus, porque da justiça brasileira não espero muita coisa, infelizmente”, declarou.
Na segunda-feira (5), também foram sepultados, na cidade de Guaxupé (MG), os corpos dos outros dois amigos, Bruno Máximo da Silva e Daniel Luiz da Silveira, ambos de 28 anos.
O que se sabe sobre as investigações
O delegado responsável pelo caso, Pedro Mendes, informou que nenhuma hipótese está descartada. As linhas investigativas incluem:
- Conflitos entre grupos criminosos.
- Discussões anteriores aos fatos.
- Crimes de natureza patrimonial.
A polícia catarinense mantém troca de informações com as forças de segurança de Minas Gerais. “O que se apurou é que alguns deles têm passagens pela polícia no estado de origem, Minas Gerais. Estamos trocando informações para entender quais são essas passagens... para ver se eles têm informações de um eventual envolvimento com facção criminosa”, explicou o delegado.
Os quatro jovens foram encontrados mortos no último sábado (3), em Biguaçu, região metropolitana de Florianópolis. A Polícia Militar foi acionada por uma denúncia sobre corpos abandonados às margens de uma estrada, no bairro Fundos. O reconhecimento inicial foi feito por familiares com base em tatuagens, e a confirmação oficial das identidades veio da Polícia Científica no domingo (4).
O grupo estava desaparecido desde o dia 28 de dezembro. Câmeras de segurança os registraram pela última vez caminhando pela rua por volta das 3h15 daquele dia, no condomínio onde moravam em São José, na Grande Florianópolis. As famílias, sem sucesso nas tentativas de contato, registraram um boletim de ocorrência, dando início às investigações que continuam em andamento.