Professor de Direito é preso no RS após denúncia de estupro e crimes contra dez mulheres
Professor de Direito preso no RS por crimes contra mulheres

Professor de Direito é preso no RS após denúncia de estupro e crimes contra dez mulheres

O professor de Direito e advogado Conrado Paulino da Rosa foi preso preventivamente nesta segunda-feira (2), em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. A prisão ocorreu após a desembargadora Naele Ochoa, da 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do RS, acolher um pedido do Ministério Público, que o denunciou por doze crimes contra dez mulheres, incluindo estupro, estupro de vulnerável, violência psicológica e cárcere privado.

Medidas protetivas e restrições nas redes sociais

A Justiça concedeu duas novas medidas protetivas para as vítimas pelo 2º Juizado de Violência Doméstica de Porto Alegre, proibindo Conrado de usar as redes sociais para expor mensagens das mulheres. As medidas, pedidas pela advogada das vítimas, Gabriela Souza, visam preservar a intimidade e evitar que o processo seja utilizado como arma de fogo e violência psicológica.

Gabriela baseou-se em declarações dos advogados de Conrado em entrevista ao RBS Noticias, onde um deles, Rodrigo Grecellé Vares, afirmou possuir documentos que provam a inocência e desqualificam o relato das sedizentes vítimas. Para a advogada, isso representa uma ameaça judicial e risco de revitimização.

As medidas proíbem Conrado de se aproximar ou manter contato com as vítimas e de expor em redes sociais ou imprensa fotos, mensagens ou vídeos. Uma medida pedida por uma terceira vítima foi negada, e outra aguarda análise.

Prisão preventiva e audiência de custódia

A prisão preventiva foi mantida após audiência de custódia na manhã de terça-feira (3). Conrado deve ser encaminhado nas próximas horas para o sistema prisional, ainda não definido. Na ocasião anterior em que foi preso, ele foi levado para a penitenciária estadual de Canoas (Pecan).

O judiciário ainda não informou se aceitou a denúncia contra o advogado e professor, feita na última semana. A defesa, em nota, expressou extrema preocupação com a decretação da prisão, alegando que se baseia em suposições e erros fáticos.

Investigação e contexto dos crimes

Os casos de abusos sexuais teriam acontecido entre 2013 e 2025. No final de 2025, Conrado foi indiciado por crimes sexuais que teriam sido cometidos 24 vezes, segundo inquérito. A investigação policial durou três meses, com depoimentos de 18 vítimas e 16 testemunhas, além de perícias, exames e provas documentais.

Quatro mulheres que relatam terem sido vítimas concederam entrevista à RBS TV. Em 22 de outubro, a Justiça revogou a prisão de Conrado, dois dias antes do fim do prazo da prisão temporária. Ele estava preso desde 26 de setembro.

Medidas cautelares anteriores e demissão

A Justiça do RS já havia determinado medidas cautelares contra Conrado, incluindo monitoramento eletrônico por tornozeleira, comparecimento mensal em juízo, proibição de contato com vítimas e testemunhas, retenção do passaporte, recolhimento domiciliar entre 20h e 6h, e proibição de deixar a comarca de Porto Alegre.

Conrado trabalhava na Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP) de Porto Alegre, de onde foi demitido após o início da investigação policial. Ele lecionava para alunos de graduação e mestrado em direito e coordenava a pós-graduação em Direito de família e sucessão. Também foi presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família, Seção RS (IBDFAM-RS).

Declarações e defesa

Após deixar o Instituto Médico Legal (IML), Conrado conversou com a reportagem da RBS TV, alegando inocência e afirmando que a justiça vai ser feita. Em seu perfil no Instagram, ele disse que a verdade dos fatos se sobressairá e que repudia violência contra a mulher.

A defesa, composta por uma banca de advogados, afirmou que não teve acesso às novas medidas protetivas e que protocolou documentação para refutar os fatos da denúncia. Eles alegam ilegalidades na investigação e confiam na revogação da prisão.

A Polícia Civil não divulgou detalhes da investigação por se tratar de crimes sexuais, mas afirma que a apuração conta com relatos semelhantes e que as possíveis vítimas passarão por perícia psicológica.