Comandante da PM afirma que policiais descumpriram protocolo em execução de mulheres no ES
O comandante-geral da Polícia Militar do Espírito Santo, coronel Ríodo Lopes Rubim, declarou nesta quarta-feira (15) que seis policiais que presenciaram a execução de duas mulheres em Cariacica, na Grande Vitória, não seguiram os protocolos da corporação que exigem intervenção em crimes contra a vida. Em entrevista ao Bom Dia ES, Rubim enfatizou que os agentes tinham a obrigação de agir para impedir o ato, mesmo que cometido por um colega.
Falta de intervenção em crime gravíssimo
No dia 8 de abril, o cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale foi flagrado por câmeras de segurança, fardado e em horário de serviço, atirando à queima-roupa contra Daniele Toneto, de 45 anos, e Francisca Chaguiana Dias Viana, de 31 anos. O coronel Rubim afirmou que o cabo "feriu a honra da instituição" e que os policiais presentes, incluindo um superior hierárquico, não tomaram medidas preventivas. "Ali, eles tinham que agir", disse o comandante, referindo-se aos protocolos ensinados na academia e em capacitações.
Detalhes dos policiais envolvidos e medidas disciplinares
Os seis policiais militares que testemunharam o crime sem reagir foram identificados como:
- Valfril do Carmo Carreiro - 3º sargento
- Edson Luiz da Silva Verona - soldado
- Eduardo Ferro Coradini - soldado
- Filipe Gonçalves Vieira - soldado
- Hilario Antônio Nunes - cabo
- Lucas Nogueira Oliveira - aluno soldado
Todos foram afastados das atividades nas ruas e tiveram o armamento suspenso. O coronel Rubim informou que foi solicitado o afastamento completo, mas a decisão final depende da Justiça. Ele também esclareceu que uma sétima pessoa nas imagens, inicialmente apontada como policial, era um civil que passava pelo local.
Processo demissionário e investigações em andamento
A Polícia Militar do Espírito Santo abriu um processo demissionário contra o cabo do Vale, com prazo de 20 dias para conclusão do inquérito militar. Rubim destacou que o policial não tinha autorização para sair do posto em Itacibá, onde atuava em função administrativa, e se deslocar até o bairro Cruzeiro do Sul para resolver uma situação pessoal. Embora tenha solicitado apoio por rádio, não houve autorização expressa para o deslocamento.
Contexto do crime e repercussões
O crime ocorreu após uma discussão envolvendo a ex-mulher do cabo, que relatou uma briga com o casal de vítimas. Testemunhas indicam que a discussão começou por causa de um ar-condicionado e acusações de furto de energia. Daniele Toneto morreu no local, enquanto Francisca Chaguiana Dias Viana foi socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. A Associação das Praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (ASPRA-ES) repudiou o afastamento dos seis policiais, argumentando que a conduta foi isolada e que não havia como antecipar a ação do cabo.
Novas imagens de câmeras de segurança, divulgadas nesta terça (14), detalham a chegada do policial e os momentos anteriores aos disparos, aumentando a pressão por transparência e justiça no caso.



