Polícia Civil de Alagoas desarticula rede suspeita de exploração sexual infantil
A Polícia Civil de Alagoas (PC-AL) está investigando uma possível rede criminosa especializada na gravação, armazenamento e divulgação de fotos e vídeos de abusos sexuais contra crianças e adolescentes. As investigações ganharam força após a prisão de um animador de festas infantis e outros dois suspeitos, com a apreensão de equipamentos eletrônicos que podem conter evidências dos crimes.
Sobrinha do animador pode estar entre as vítimas
De acordo com informações da delegacia especializada, os investigadores trabalham para confirmar se a sobrinha do animador está entre as vítimas dos abusos sexuais cometidos por ele. A delegada Talita Aquino, titular da Delegacia de Crimes Contra Crianças e Adolescentes, destacou a gravidade do caso e a facilidade que o suspeito tinha de acessar crianças devido à sua profissão.
"Ele tinha um acesso muito facilitado a um número indeterminado de crianças por ser animador de festas infantis", afirmou a delegada. "Era uma pessoa com relativo conhecimento no segmento, contratado por diversas pessoas para animar eventos, e pode ser que ali ele fizesse algumas vítimas."
Suspeito apagou arquivos antes da operação policial
Durante a operação realizada na quinta-feira (16), os policiais cumpriram mandado de busca e apreensão na casa de um dos investigados. No entanto, devido a um vazamento de informações, o suspeito teve conhecimento prévio da investigação e apagou diversos arquivos dos aparelhos eletrônicos antes da chegada das autoridades.
"Conseguimos verificar que foram apagados diversos arquivos, possivelmente após ele tomar conhecimento pela imprensa de que era um dos alvos investigados", explicou a delegada Talita Aquino. Os equipamentos apreendidos serão submetidos à perícia técnica para tentar recuperar os dados deletados e identificar a extensão da rede criminosa.
Animador de festas tinha antecedentes criminais
O animador de festas infantis preso no bairro Antares, na parte alta de Maceió, já possuía antecedentes criminais por estupro de vulnerável e era procurado pela Justiça. Segundo a Polícia Militar de Alagoas (PM-AL), o homem atuava como recreador em eventos voltados ao público infantil e mantinha uma rede social com mais de 11 mil seguidores.
As acusações contra ele incluem envolvimento em crimes relacionados à:
- Comercialização de material de exploração sexual infantil
- Distribuição e troca de conteúdo abusivo
- Oferta de material ilegal envolvendo menores
Outras prisões na operação
A operação resultou na prisão de mais dois suspeitos:
- Um tradutor de 26 anos, preso no bairro da Jatiúca, em Maceió, suspeito de armazenar e divulgar cenas de abusos infantis. De acordo com a polícia, ele compartilhava imagens da enteada de 11 anos e de outra criança em aplicativos de mensagens.
- Outro indivíduo detido em Palmeira dos Índios, no interior de Alagoas, também suspeito de divulgar imagens de abusos sexuais infantis.
A prisão do tradutor ocorreu em cumprimento a mandado expedido pela Justiça da Paraíba, e com ele foram encontradas provas e evidências dos abusos. Todos os suspeitos foram conduzidos e permanecem à disposição da Justiça, enquanto o material apreendido será analisado pela Polícia Civil.
Investigadores buscam identificar extensão da rede
A delegada Talita Aquino enfatizou que a perícia nos aparelhos apreendidos é crucial para identificar a possível existência de uma rede criminosa organizada que comete crimes contra vulneráveis. A investigação busca esclarecer não apenas os crimes já identificados, mas também a possível conexão entre os diferentes suspeitos e a extensão de suas atividades ilícitas.
"Os aparelhos apreendidos serão periciados para identificar a possível existência de uma rede criminosa que comete esses crimes contra vulneráveis", afirmou a delegada, destacando a complexidade das investigações que envolvem crimes digitais contra crianças e adolescentes.



