Polícia investiga denúncia de agressão a aluno autista em escola de Timóteo, Minas Gerais
Polícia investiga agressão a aluno autista em escola de Timóteo

Polícia investiga denúncia de agressão a aluno autista em escola de Timóteo

A Polícia Civil de Minas Gerais abriu investigação para apurar uma suposta agressão física contra um aluno autista de 12 anos dentro de uma escola estadual localizada em Timóteo, município do Vale do Aço mineiro. O estudante, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), precisou ser levado à Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) da cidade após apresentar ferimentos no nariz, conforme registrado em boletim de ocorrência.

Versão dos pais e detalhes do ocorrido

De acordo com o relato dos responsáveis pelo menino, constantes no documento policial, o estudante vinha sofrendo importunações recorrentes por parte de colegas na instituição de ensino. No dia específico do incidente, um aluno mais velho teria praticado ato de importunação sexual contra o adolescente, mostrando-lhe o órgão genital.

Segundo a família, após buscar ajuda dentro da escola, o menino entrou em crise comportamental, chutando uma lixeira e pegando duas pedras. Foi nesse momento que um funcionário da instituição teria realizado uma contenção considerada desproporcional pelos pais, segurando o estudante pelo pescoço e desferindo um soco em seu nariz.

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A mãe do aluno autista afirmou em entrevista que a situação agravou significativamente o comportamento ansioso do filho, que além do TEA possui diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), conforme laudo neuropsicológico apresentado. Ela também exibiu atestado médico datado de novembro de 2025 indicando que o menino foi vítima de agressão, episódio que igualmente teria ocorrido dentro do ambiente escolar.

Falta de acompanhamento do Conselho Tutelar

O registro policial aponta que o Conselho Tutelar foi acionado durante o ocorrido, mas não compareceu à unidade de saúde para acompanhar a ocorrência. Os pais do estudante encontravam-se em Ipatinga no momento dos fatos, situação que dificultou o acompanhamento imediato do caso.

A reportagem tentou contato com a Prefeitura de Timóteo para questionar os motivos da ausência do órgão de proteção à criança e ao adolescente, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.

Posicionamento da Secretaria de Educação

Em nota oficial, a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais manifestou repúdio a qualquer mau comportamento no ambiente escolar, afirmando que a direção da instituição atuou imediatamente para acolher todos os envolvidos no episódio.

A pasta negou categoricamente a ocorrência de agressão física contra o estudante, explicando que o aluno pegou pedras ao sair da escola, sendo contido por servidores para evitar que se machucasse ou ferisse outras pessoas. Segundo a secretaria, não foram constatadas marcas de agressão no rosto ou nariz do adolescente durante a avaliação na unidade de saúde, informação que contradiz diretamente a versão apresentada pela família.

A SEE informou ainda que o Corpo de Bombeiros foi acionado durante o incidente e que o estudante foi transportado até a UPA acompanhado pelo vice-diretor da escola. Todos os alunos envolvidos e seus responsáveis foram ouvidos pela direção, enquanto a família recebeu atendimento especializado do Núcleo de Acolhimento Educacional, com suporte de psicólogo e assistente social.

Andamento das investigações

A Polícia Civil instaurou inquérito policial para apurar minuciosamente todas as circunstâncias do caso. Durante as investigações, serão analisadas as diferentes versões apresentadas pelos envolvidos, bem como os laudos médicos e documentação pertinente.

O caso evidencia a complexidade do atendimento a estudantes com necessidades especiais no ambiente educacional e a importância de protocolos claros para situações de crise, especialmente quando envolvem vulnerabilidades como o Transtorno do Espectro Autista.

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