Polícia desmonta farsa de desaparecimento após dupla matar apicultor no Paraná
Um caso inicialmente registrado como o desaparecimento de dois homens em Arapoti, nos Campos Gerais do Paraná, teve uma reviravolta dramática quando a Polícia Civil descobriu que eles forjaram o sumiço e enganaram as próprias famílias para fugir após cometerem um assassinato. As informações são do delegado Thiago Pinheiro, responsável pelas investigações.
Sumiço forjado e crime brutal
Segundo o delegado, as famílias de Jhonatan Santana da Luz e Leandro Jonas registraram boletins de ocorrência afirmando que eles haviam desaparecido, acreditando que poderiam ter sido vítimas de algum crime, pois a picape em que ambos saíram, alegando ir trabalhar, foi encontrada carbonizada em uma área de mata. No entanto, as investigações sobre os desaparecimentos apontaram que, na verdade, eles mataram o apicultor Carlos Alexandre Lopes semanas antes. Agora, eles são considerados foragidos da Justiça.
O crime ocorreu na manhã de 6 de fevereiro, no Bairro Ceres, e foi filmado por câmeras de segurança. As imagens mostram que a picape estava rondando a casa do apicultor desde às 6h30. Por volta das 7h30, um dos suspeitos desceu do veículo, foi à residência e manteve uma conversa aparentemente amigável com a vítima. De forma repentina, ele sacou um revólver e deu pelo menos três tiros, a curta distância, no rosto de Carlos.
"Após a execução, o autor subtraiu o celular da vítima, com o claro intuito de apagar rastros e comunicações prévias, e fugiu a pé cruzando a rodovia PR-092. Do outro lado da via, a picape o aguardava para dar apoio à fuga", explica o delegado Thiago Pinheiro.
Investigações revelam conexão e fuga
Após o crime, a equipe de investigação identificou que a picape era gerenciada por Leandro Jonas. Três semanas depois, no dia 27 de fevereiro, a Polícia Civil e a Polícia Militar encontraram o homem dirigindo o veículo na PR-239 e tentaram abordá-lo, devido a mandados de prisão anteriores que ele possuía em aberto. Porém, Leandro desobedeceu à ordem e fugiu em alta velocidade na contramão da rodovia, conseguindo escapar do cerco policial.
O caso tomou um rumo inesperado nos dias seguintes, quando, no domingo, 1º de março, a mesma picape foi encontrada completamente carbonizada em uma área de mata isolada. No dia seguinte, as famílias de Leandro Jonas e de Jhonatan Santana da Luz procuraram a delegacia para registrar boletins de ocorrência de desaparecimento, relatando não ter notícias dos dois desde o dia anterior e expressando o temor de que tivessem sido vítimas de alguma violência.
A conexão definitiva entre os dois casos ocorreu quando a equipe da Polícia Civil identificou que os supostos "desaparecidos" seriam, na verdade, os dois envolvidos no homicídio ainda não elucidado. Durante as investigações, a polícia concluiu que Jhonatan foi quem matou o apicultor e Leandro foi quem o levou até o local e o ajudou a fugir.
Farsa desmontada e busca por justiça
"Diante das evidências, a Polícia Civil não adere a tese de que Jhonatan e Leandro estão desaparecidos, mas sim que forjaram essa narrativa após a fuga nos dias anteriores. A queima do veículo na mata foi identificada como uma tentativa deliberada de destruir a principal prova material que os ligava à cena do crime", destaca Pinheiro.
O inquérito policial foi concluído com o indiciamento de Jhonatan, como executor, e Leandro, como coautor e mentor logístico, pelos crimes de homicídio qualificado, furto e fraude processual. O Ministério Público ofereceu a denúncia formal contra a dupla, a qual foi recebida pelo Poder Judiciário no dia 5 de abril, tornando-os oficialmente réus em processo criminal.
Atualmente, Jhonatan e Leandro possuem mandados de prisão preventiva decretados pela Justiça, encontram-se foragidos e estão sendo ativamente procurados pelas forças de segurança. A polícia alerta a população de que qualquer teoria sobre eles terem sido vítimas de represália não procede, devendo qualquer informação sobre o paradeiro dos criminosos ser comunicada imediatamente às autoridades. Denúncias anônimas sobre o paradeiro dos homens podem ser feitas à polícia pelos telefones 197, 181 ou (43) 98479-5713.
Motivação do crime ainda é investigada
A Polícia Civil continua investigando o que motivou o assassinato do apicultor Carlos Alexandre Lopes. A tese inicial, afirma o delegado Thiago Pinheiro, é que a morte tenha sido encomendada por alguma outra pessoa, que ainda não foi identificada.
"A motivação do crime ainda segue uma incógnita, não sabendo ao certo qual foi a motivação acerca dessa execução, acreditando-se que tenha sido, na verdade, uma encomenda, por assim dizer, pois a mecânica, a execução, as circunstâncias do delito levam a crer que não existiam indícios prévios de inimizade ou algum tipo de desacordo entre os envolvidos, indicando a possibilidade de envolvimento de ainda mais autores de forma imediata, ou seja, terceiros envolvidos que estariam como mandantes do delito", diz o delegado.



