Polícia conclui investigação sobre caso de açaí envenenado com chumbinho em Ribeirão Preto
A Polícia Civil de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, anunciou nesta segunda-feira (23) a conclusão das investigações sobre o grave caso de envenenamento que vitimou o jovem Adenilson Ferreira Parente, de 27 anos. O inquérito policial apontou tentativa de homicídio qualificado por envenenamento e resultou na indicação da namorada da vítima, Larissa de Souza, como autora do crime.
Provas técnicas e imagens de monitoramento
De acordo com informações da Secretaria de Segurança Pública repassadas ao g1, a autoria e materialidade do crime foram confirmadas após análise técnica aprofundada e coleta de provas consistentes. O laudo toxicológico identificou a presença de substâncias tóxicas no alimento, enquanto imagens de câmeras de monitoramento registraram a suspeita, que convivia com a vítima, manipulando o recipiente em via pública.
"Diante das evidências coletadas, a investigada foi formalmente indiciada por tentativa de homicídio qualificado", afirmou a polícia em nota oficial. As imagens analisadas mostram momentos cruciais do dia 5 de fevereiro, quando o casal retirou dois copos de açaí de uma loja na Avenida Barão do Bananal, na zona Leste da cidade.
Defesa contesta conclusões da polícia
Procurada pelo g1, a advogada Jéssica Nozé, que defende tanto Larissa quanto Adenilson, apresentou contestações significativas às conclusões policiais. "A defesa entende que o término do inquérito foi feito de maneira precipitada e tendenciosa", declarou a profissional.
Segundo a advogada, sua cliente nega qualquer participação no envenenamento e continua colaborando com as investigações. "Tanto ela quanto o próprio Adenilson estavam juntos no momento dos fatos. Os dois são as pessoas que viram o que aconteceu e os dois têm a mesma versão dos eventos", argumentou Nozé.
Recuperação da vítima e detalhes do caso
O caso ganhou repercussão após Adenilson Ferreira Parente passar mal e precisar ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Felizmente, o jovem se recuperou completamente, recebeu alta médica e encontra-se bem de saúde atualmente.
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) confirmou a presença de terbufós no copo de açaí consumido pela vítima. Esta substância é um dos principais princípios ativos do chumbinho, produto utilizado principalmente para controle de pragas de solo em plantações agrícolas.
Sequência dos eventos e investigações
As investigações revelaram que:
- Larissa retirou dois copos de açaí da loja durante a tarde do dia 5 de fevereiro
- Imagens mostram o casal chegando em casa de carro, com ela carregando a sacola com os copos
- Adenilson deixou seu copo no chão momentaneamente antes de sair com o veículo
- Larissa recolheu o açaí do chão e entrou novamente na residência
- Por volta das 20h, o casal retornou à loja para reclamar da compra
O delegado José Carvalho de Araújo Júnior, responsável pelo caso, explicou que "em algum momento, alguém colocou veneno no copo. Este momento nos leva a entender que ali ela estava manuseando este copo de alguma forma".
Versões contraditórias e próximos passos
A advogada Jéssica Nozé destacou que Adenilson, "que em tese é a maior interessada", foi ouvido apenas uma vez pela polícia, enquanto ainda estava acamado. "Ele foi muito firme em dizer o que pensava e não mudou de ideia", afirmou a defensora.
Segundo o relato da vítima à sua advogada, o açaí veio lacrado da loja e ele mesmo o abriu, usando a expressão "fechadinho, fechadinho, sem burla nenhuma". Adenilson mantém sua convicção de que a namorada não é culpada pelo ocorrido.
A possibilidade de contaminação dentro do estabelecimento comercial foi descartada desde o início das investigações, pois o preparo do alimento foi filmado e não apresentou atitudes suspeitas por parte dos funcionários.
O caso agora segue para as próximas etapas do processo judicial, com a defesa preparando seus argumentos para contestar as acusações apresentadas pela Polícia Civil de Ribeirão Preto.



