PM é preso dentro do batalhão por roubo, estupro e extorsão no Rio de Janeiro
A prisão de um policial militar dentro de seu próprio local de trabalho, o batalhão, chocou a comunidade de Maricá, no Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (4). O militar Lucas de Sousa Mathias foi detido pela Polícia Civil na 82ª Delegacia de Polícia (DP) de Maricá, após uma investigação que o aponta como suspeito de crimes graves, incluindo extorsão, estupro e envolvimento com agiotagem.
Vítima em pânico durante reconhecimento
De acordo com o delegado Cláudio Vieira, titular da delegacia responsável pelo caso, a vítima, uma mulher que denunciou o policial, apresentou uma reação intensa de medo e angústia ao reconhecer Lucas de Sousa Mathias. "Ela se tremia quando fizemos o reconhecimento, mesmo mostrando que a sala de reconhecimento não dava para a pessoa presa vê-la, que só quem está reconhecendo é capaz de ver através do vidro, ela se tremia muito", relatou o delegado.
O momento foi marcado por uma crise emocional: "Quando ela viu ele, começou a chorar, se tremia, teve uma crise e depois de ver ele se escondeu, para entender a gravidade do que essa vítima sofreu", acrescentou Vieira. A mulher alegou ter sido vítima de ameaças, coação, roubo, estupro e agressão física, incluindo um corte nas costas, além de continuar sendo cobrada e ameaçada após os incidentes.
Investigação revela esquema de agiotagem e crimes violentos
A investigação policial apurou que o policial militar e um comparsa, Davyd Novato Santana, estavam envolvidos em um esquema de agiotagem. Eles cobravam juros abusivos sobre um empréstimo inicial de R$ 800, exigindo o pagamento de R$ 7 mil da vítima. Segundo as autoridades, após cometer os crimes de extorsão, Lucas de Sousa Mathias ainda estuprou a mulher e roubou itens de sua residência.
Durante o interrogatório, o policial tentou inicialmente atribuir as cobranças ao comparsa Davyd, mas acabou confessando sua participação em atos mais graves. "Ele admitiu que ele acompanhava o Davyd para fazer as cobranças, que não fazia nada, só acompanhava, mas foi ele que estuprou a menina e ainda fez uns cortes nas costas dela", afirmou o delegado Cláudio Vieira.
Apreensões e investigações em andamento
Na residência de Davyd Novato Santana, a Polícia Civil realizou uma busca e apreendeu itens significativos, incluindo:
- Armas
- Duas televisões pertencentes ao pai da vítima, que também teria sido ameaçado
- Um caderno com anotações relacionadas à prática de agiotagem
As autoridades estão investigando se a dupla pode ter feito outras vítimas na região, ampliando o escopo do caso para possíveis crimes adicionais.
Resposta da Polícia Militar e medidas disciplinares
Em nota oficial, a assessoria da Polícia Militar do Rio de Janeiro, por meio da Corregedoria Geral da corporação, informou que o militar está preso na Unidade Prisional da Polícia Militar do RJ. A instituição anunciou que será instaurado um procedimento administrativo disciplinar para aplicar as medidas cabíveis.
"O Comando da Corporação reitera que não compactua com quaisquer desvios de conduta ou com o cometimento de crimes praticados por seus integrantes, punindo com rigor os envolvidos sempre que os fatos forem devidamente constatados", destacou a nota, reforçando o compromisso com a integridade e a lei dentro da força policial.
Este caso levanta questões sobre a conduta de agentes públicos e a segurança das vítimas, enquanto a justiça segue seu curso para garantir a responsabilização dos envolvidos.



