MP-PR denuncia PM por feminicídio e homicídio qualificado em Terra Boa
PM denunciado por feminicídio e homicídio qualificado no PR

MP-PR denuncia policial militar por duplo homicídio em Terra Boa

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) apresentou denúncia contra o policial militar Gustavo Pereira, de 31 anos, pelos crimes de feminicídio e homicídio qualificado. A decisão judicial, divulgada nesta sexta-feira (13), também solicita que o acusado pague uma indenização de R$ 100 mil aos familiares das duas vítimas.

Crime ocorreu em janeiro com arma da corporação

No dia 31 de janeiro, Gustavo invadiu a residência de Jessica Brito de Lima, de 30 anos, e efetuou 17 disparos contra ela e Gabriel Dulo, de 23 anos. Conforme informações da Secretaria de Segurança Pública do Paraná (SESP-PR), o policial utilizou a arma de serviço para cometer o crime.

A defesa de Gustavo informou que ele confessa os assassinatos e que, no momento atual, não irá requerer sua liberdade. O policial militar está preso preventivamente desde o dia do duplo homicídio.

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Classificação dos crimes e motivação

A denúncia do MP-PR caracteriza o assassinato de Jessica como feminicídio e o de Gabriel como homicídio qualificado por motivo torpe, envolvendo ciúmes e sentimento de posse. O documento também aponta o uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas como agravante.

Agora, a denúncia segue para análise da Justiça, que decidirá se o PM será formalmente processado como réu nos crimes.

Detalhes da ação criminosa

Gustavo dirigiu-se à casa de Jessica na madrugada do dia 31 de janeiro, onde executou os disparos contra as duas vítimas. O policial militar está lotado em Cianorte, cidade localizada a aproximadamente 24 quilômetros de Terra Boa, local onde ocorreu o crime. Ele estava de folga no dia dos assassinatos.

"Após o fato, o policial apresentou-se espontaneamente no Pelotão da Polícia Militar de Terra Boa, realizando a entrega da arma institucional utilizada", informou a SESP-PR em comunicado oficial.

Gustavo foi então encaminhado à 21ª Subdivisão Policial de Cianorte. A nota oficial também afirmou que serão adotadas "medidas legais, administrativas e disciplinares cabíveis" contra o policial. A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) relatou que o acusado manteve-se em silêncio durante todo seu depoimento.

Histórico de relacionamento conturbado

Greise Fortunato, irmã de Jessica, revelou que sua irmã e Gustavo mantiveram um relacionamento de sete anos, sem estarem formalmente casados. O casal tem um filho em comum.

Os problemas no relacionamento começaram no final de 2024, segundo relato familiar. Ao longo de 2025, viveram períodos alternados de reconciliação e separação. Há aproximadamente oito meses, Jessica solicitou uma medida protetiva contra Gustavo, que foi concedida pela Justiça.

Entretanto, a vítima retirou a solicitação após duas semanas, conforme Greise, devido a "pressão psicológica" exercida pelo policial. A última tentativa de reatar o relacionamento ocorreu em outubro de 2025 e terminou no mesmo mês.

"Nessa chance que a minha irmã deu, ele não mudou e continuou a perdurar essa confusão toda. E ela deu um basta em outubro", afirmou Greise Fortunato.

Em novembro de 2025, após o término definitivo com o policial militar, Jessica conheceu Gabriel Dulo. Desde então, os dois mantinham um relacionamento em fase inicial de conhecimento mútuo.

Famílias das vítimas clamam por justiça

Danielly Dulo, irmã de Gabriel, explicou que seu irmão mencionou brevemente, ainda em 2025, que estava conhecendo Jessica. As famílias das vítimas organizaram um protesto no dia 1º de fevereiro, exigindo justiça pelas mortes do casal.

"Filho de agricultor, sempre trabalhou com o pai na roça, com dignidade e orgulho. Era apaixonado por motos, pelas estradas e pela liberdade que elas traziam", recordou Danielly sobre seu irmão.

Gabriel completara 23 anos em setembro de 2025. "Pra gente, a ficha ainda não caiu. Parece que nos foi arrancado um pedaço. Uma saudade que dói", desabafou a irmã da vítima.

Posicionamento da defesa

O advogado João Filho, representante legal de Gustavo Pereira, afirmou anteriormente que seu cliente confessou o crime. Questionado sobre as motivações, declarou que "a defesa irá aguardar o resultado de todas as perícias".

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Em nota oficial, a defesa abordou a medida protetiva que Jessica possuía contra Gustavo: "Em relação à medida protetiva, a defesa informa que a vítima se manifestou de forma espontânea e diretamente ao poder judiciário requerendo a revogação da medida que lhe fora concedida, tudo sem qualquer influência do Sd. Pereira".

O texto ainda acrescenta: "Por hora não iremos requerer a liberdade do Sd. Pereira, foi conversado com ele e chegamos à conclusão de que iremos aguardar o término das investigações".

A defesa também mencionou que Gustavo foi transferido para o Complexo Médico Penal em Curitiba, caracterizando a mudança como procedimento normal do sistema prisional.