Polícia Federal prende policiais civis de SP por venda de proteção a criminosos
PF prende policiais civis de SP por venda de proteção a bandidos

Polícia Federal prende policiais civis de SP por venda de proteção a criminosos

Uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Federal resultou na prisão de nove pessoas nesta quinta-feira (5), incluindo quatro policiais civis suspeitos de vender proteção para bandidos. As investigações revelaram que a rede criminosa operava dentro de algumas das delegacias mais importantes do estado de São Paulo, utilizando relatórios do Coaf para extorquir vítimas.

Esquema de corrupção dentro das delegacias

Mensagens de celular apreendidas pela Polícia Federal entre 2022 e 2023 expuseram detalhes do esquema. Em um dos áudios, um advogado afirmou a um doleiro que, com R$ 100 mil, poderia encerrar uma investigação, citando um delegado conhecido. O delegado mencionado é João Eduardo da Silva, titular do 35º Distrito Policial, na Zona Sul de São Paulo, que foi preso junto com outros três policiais civis.

Os promotores do caso explicaram que, em vez de investigar supostos crimes de lavagem de dinheiro, os agentes abordavam os envolvidos e exigiam quantias milionárias para arquivar os inquéritos. Esse método de extorsão aproveitava informações sigilosas do Coaf, órgão responsável por rastrear movimentações financeiras atípicas.

Resposta da Polícia Civil e outras prisões

Em nota oficial, a Polícia Civil de São Paulo declarou que determinou apurações administrativas em todas as unidades onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão. A instituição reforçou que não compactua com desvios de conduta e adotará todas as medidas legais e disciplinares cabíveis para apurar os fatos.

Além dos quatro policiais civis, a operação prendeu um advogado e quatro operadores financeiros, incluindo a contadora Meire Poza. A Justiça também decretou a prisão do doleiro Leonardo Meirelles, que está foragido. Tanto Meire quanto Leonardo foram investigados na Operação Lava Jato e agora são suspeitos de auxiliar os policiais na lavagem de dinheiro obtido ilegalmente.

Impacto e desdobramentos

Este caso expõe uma grave falha na integridade das instituições policiais, com agentes públicos supostamente envolvidos em atividades criminosas que minam a confiança da sociedade. As investigações continuam em andamento, com foco em desvendar toda a extensão da rede e identificar possíveis colaboradores.

O Jornal Nacional não conseguiu localizar as defesas de Meire Poza, Leonardo Meirelles e João Eduardo da Silva para comentários. As autoridades seguem em alerta para capturar os foragidos e garantir que a justiça seja aplicada de forma rigorosa.