Megaoperação da PF desmonta esquema bilionário de lavagem com celebridades do funk e digital
Uma ação de grande porte da Polícia Federal resultou na prisão de mais de 30 indivíduos nesta quarta-feira (15), incluindo figuras proeminentes do cenário musical e digital. A operação, que abrangeu oito estados e o Distrito Federal, visava desarticular uma sofisticada rede de lavagem de capitais, com movimentações financeiras estimadas em mais de R$ 1,6 bilhão.
Funkeiros no centro do esquema criminoso
Entre os detidos estão os cantores de funk MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, ambos acusados de desempenhar papéis fundamentais no esquema. MC Ryan SP foi preso durante uma festa na Riviera de São Lourenço, no litoral paulista, enquanto MC Poze do Rodo foi capturado em sua residência no Rio de Janeiro.
De acordo com documentos da investigação, aos quais o Jornal Nacional teve acesso, MC Ryan é descrito como uma liderança central na operação criminosa. Empresas do artista, como um restaurante, teriam servido como fachadas para lavar recursos financeiros originados do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Já uma empresa vinculada a MC Poze do Rodo é caracterizada nos autos como uma "operadora atuante" que conectava recursos bilionários do Comando Vermelho, outra facção criminosa.
Mecanismos de lavagem envolvendo shows e influência digital
O superintendente da PF em São Paulo, Rodrigo Luis Sanfurgo de Carvalho, detalhou uma das estratégias utilizadas para legitimar o dinheiro ilícito. "Você contrata o artista e fica com a bilheteria. E quanto que essa bilheteria deu? De fato, R$ 100 mil. Vou declarar mais que isso: R$ 200, 300, 400, 500 milhões. E, com isso, eu consigo esquentar o dinheiro que eu não tenho como justificar", explicou o delegado.
Além dos funkeiros, influenciadores digitais também foram alvo da operação. Raphael Sousa Oliveira, proprietário do famoso perfil Choquei, e Chrys Dias, empresário de MC Ryan, estão entre os presos. A PF alega que Oliveira recebeu valores de Ryan, por meio de intermediários, para suposta blindagem de imagem corporativa e influência em apostas online.
Sanfurgo de Carvalho ressaltou como a popularidade e o engajamento digital foram instrumentalizados: "A soma disso possibilitou justamente esse fluxo de dinheiro. Cria essa possibilidade de você movimentar valores altíssimos e dificultar o rastreamento da origem exata desse dinheiro. Então, o que nós temos por detrás aí? A fama e métricas de engajamento digital".
Defesas contestam acusações e apreensões milionárias
O advogado de MC Ryan SP, Felipe Cassimiro, defendeu a legalidade das transações de seu cliente: "Se trata do principal MC do nosso país, a pessoa que ocupa o top um nas principais plataformas musicais. Ou seja, transações de alto valor é algo comum para uma pessoa que possui lastro financeiro lícito, que é efetivamente o caso do Ryan".
A defesa de MC Poze do Rodo informou que ainda não analisou os autos e se manifestará judicialmente. Já a equipe jurídica de Raphael Sousa Oliveira afirmou que ele apenas prestou serviços de publicidade e nega qualquer envolvimento em atividades ilegais. O Jornal Nacional não conseguiu localizar representantes de Chrys Dias.
Durante as buscas, a Polícia Federal apreendeu bens de alto valor, incluindo veículos que somam aproximadamente R$ 20 milhões, relógios de luxo, joias, dinheiro em espécie, celulares e armas. Na residência de MC Ryan SP, foi encontrado um colar com a imagem do traficante colombiano Pablo Escobar dentro do formato do mapa de São Paulo.
A operação cumpriu 45 mandados de busca e apreensão, resultando na prisão de 33 pessoas. As investigações continuam para desvendar completamente a extensão deste esquema que mistura crime organizado, entretenimento e influência digital.



