PF alerta STF: análise de vídeos da megaoperação no Rio pode levar 3 anos
PF: análise de vídeos da megaoperação no Rio pode levar 3 anos

PF alerta STF sobre dificuldades na análise de vídeos da megaoperação no Rio

Em um ofício enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) na noite de quarta-feira (15), a Polícia Federal (PF) destacou que ainda faltam dados essenciais nos registros das câmeras corporais fornecidos pelo governo do Rio de Janeiro referentes à Megaoperação Contenção, realizada em outubro do ano passado. Segundo o documento, a análise do material, no estado atual, poderia levar pelo menos três anos para ser concluída, devido à ausência de informações básicas como identificação dos policiais e localização das gravações.

Problemas técnicos e prazos estendidos

Há um mês, o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, havia determinado um prazo de cinco dias para que o governo do Rio enviasse os vídeos em mídia física. Na ocasião, a PF já havia reclamado que os arquivos estavam disponíveis apenas para visualização online, sem opção de download, o que inviabilizava a análise técnica e a preservação das evidências. Agora, as autoridades enviaram uma série de links para baixar as gravações individualmente, totalizando 9.025 clipes provenientes de 504 câmeras, com uma estimativa de pelo menos 4.500 horas de vídeo.

O problema principal, conforme apurado, não é o volume de trechos, mas a falta completa de identificação nos arquivos. "Cada arquivo necessita ser descarregado de forma individual, tornando impraticável a extração do conjunto para fins de preservação e perícia", explicou William Marcel Murad, diretor-geral substituto da PF. Ele ressaltou que, mesmo com a disponibilidade de 10 peritos criminais federais, o trabalho de correspondência e análise preliminar levaria cerca de três anos, reduzindo a efetividade dos exames sem delimitação clara dos trechos de interesse.

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Contexto da operação mais letal

A Megaoperação Contenção, considerada a mais letal da história do país, resultou de uma investigação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, com 180 mandados de busca e apreensão e 100 mandados de prisão, sendo 70 no Rio de Janeiro e 30 no Pará, contra integrantes do Comando Vermelho. A ação mobilizou cerca de 2,5 mil agentes e terminou com 122 mortos, incluindo cinco policiais, além de 113 prisões e a apreensão de 118 armas de fogo, entre elas 91 fuzis.

A operação também provocou retaliações e bloqueios armados em vias importantes da cidade, como a Linha Amarela e a Grajaú–Jacarepaguá, afetando o transporte público em diversas regiões. O volume de armamento apreendido é um dos maiores já registrados em uma única ação policial no estado, segundo autoridades.

Pedido da Polícia Federal

No ofício, Murad encerrou solicitando que o ministro Alexandre de Moraes determine ao governo do Rio de Janeiro o reenvio do material em mídia física, com todos os metadados discriminados, para agilizar a perícia e garantir a preservação adequada das evidências. A situação destaca os desafios logísticos e técnicos enfrentados pelas forças de segurança na investigação de operações de grande escala, com implicações para a transparência e a justiça nos casos envolvendo violência e letalidade.

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