Perito vira réu por posse ilegal de arma após operação que desarticulou esquema criminoso no PR
Perito vira réu por posse ilegal de arma após operação no PR

Perito investigado se torna réu por posse ilegal de arma após operação policial no Paraná

O perito Marlon de Lima Cunha, que está sob investigação por supostamente aplicar golpes que causaram um prejuízo superior a R$ 2 milhões às vítimas, conforme apurações da Polícia Civil, foi formalmente denunciado e se tornou réu pelo crime de posse ilegal de arma de fogo. O caso ganhou novos contornos após uma operação realizada no final de janeiro, que cumpriu oito mandados de busca e apreensão em endereços vinculados a ele em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba.

Operação desarticula esquema criminoso e apreende arma municiada

A ação policial tinha como objetivo principal desarticular um suposto esquema criminoso que, segundo as investigações, era liderado pelo próprio Marlon. Durante as buscas, os agentes encontraram na residência do perito uma arma de fogo calibre 9 mm, municiada e acompanhada de dois carregadores. Em decorrência dessa descoberta, ele foi preso em flagrante e, posteriormente, virou réu pela posse ilegal do artefato.

Conforme detalhou o delegado Murilo Camargo, a arma apreendida pertencia, na verdade, a uma das vítimas do grupo. "Ele foi ameaçado a entregar a arma sob [ameaça de uma falsa] pena de prisão", explicou o investigador, destacando a gravidade das ações criminosas.

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Modus operandi envolvia simulação de autoridade pública

De acordo com a polícia, os integrantes do esquema atuavam de forma meticulosa para ganhar a confiança das vítimas. Eles ofereciam serviços de assessoria contábil, jurídica e administrativa e, após obterem acesso ao controle de contas bancárias, realizavam transferências de valores para a conta da empresa Perícias Paraná LTDA.

Para consolidar uma imagem de autoridade e legitimidade perante os clientes, os suspeitos utilizavam distintivos, camisetas e coletes balísticos com inscrições de "Perícia Criminal", simulando uniformes oficiais de órgãos públicos. "Eles costumavam usar, dentro das instalações da empresa e também fora, vestimentas com escritos que levavam as pessoas a acreditarem que se tratavam de alguma autoridade pública, policial ou até do Tribunal de Justiça. Usavam coletes que aparentavam ser balísticos — muitos nem tinham proteção, apenas aparentavam —, além de distintivos e carteira funcional", detalhou o delegado Camargo.

Investigação apura múltiplos crimes e novas vítimas surgem

A investigação, que já apura os crimes de organização criminosa, estelionato, extorsão e usurpação da função pública, ganhou novas dimensões após a divulgação do caso. Duas outras vítimas procuraram a polícia para relatar situações semelhantes, ampliando o escopo das apurações.

Atualmente, Marlon de Lima Cunha encontra-se em prisão domiciliar, após alegar problemas de saúde que justificariam a medida cautelar. A polícia segue coletando evidências e depoimentos para consolidar a acusação contra ele e os demais envolvidos.

Defesa nega todas as acusações e afirma legalidade das atividades

Por meio de nota, o advogado Wilder Bueno Pinheiro, que representa tanto a empresa Perícias Paraná LTDA. quanto o investigado Marlon de Lima Cunha, negou veementemente todas as acusações. Segundo ele, Marlon possui cadastro como Auxiliar de Justiça no Tribunal e presta serviços há anos na região de Fazenda Rio Grande, sem qualquer intenção de se passar por autoridade pública.

"Jamais desviou dinheiro de seus clientes e, muito menos constitui grupo criminoso, sendo todas inverdades apresentadas, sendo, cada integrante, pessoa de bem que já atuaram em diversos processos e, inclusive estando nomeados pelo TJPR", afirmou o advogado na nota. Ele ainda ressaltou que todas as transações financeiras eram autorizadas pelos clientes e que a empresa nunca agiu para lesar qualquer parte envolvida.

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Vítima e Tribunal de Justiça reforçam posicionamentos

Em contrapartida, a advogada Thaise Mattar Assad, que representa uma das vítimas, afirmou que seu cliente é "comprovadamente vítima de diversos golpes perpetrados pelos investigados". Ela expressou a expectativa de que a investigação policial seja concluída em breve e que os responsáveis sejam devidamente responsabilizados conforme a legislação vigente.

O Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) também se manifestou sobre o caso, informando que não há nenhum servidor registrado com o nome de Marlon de Lima Cunha em seus sistemas. Além disso, a instituição ressaltou que nunca autorizou qualquer servidor ou perito a utilizar a logo do tribunal em materiais ou uniformes, reforçando a ilegalidade das práticas atribuídas ao grupo.