Pais de soldado Gisele revoltam-se com aposentadoria de oficial acusado de feminicídio
Pais de soldado revoltam-se com aposentadoria de acusado de feminicídio

Pais de soldado da PM expressam revolta com aposentadoria de oficial acusado de feminicídio da filha

Os pais da soldado Gisele Alves Santana, morta em fevereiro com um tiro na cabeça, reagiram com profunda revolta e indignação à decisão da Polícia Militar de São Paulo de transferir para a reserva o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso sob suspeita de feminicídio e fraude processual. O oficial, acusado de assassinar a ex-mulher, receberá aproximadamente R$ 21 mil mensais de aposentadoria, um valor que gerou críticas veementes da família da vítima.

Críticas familiares e questionamentos sobre justiça

Em depoimento enviado à TV Globo, o pai de Gisele, José Simonal Telles, criticou duramente a medida e a rapidez do processo de aposentadoria. "Você acha justo a população do estado de São Paulo pagar salário para um monstro desse, covarde que matou sua mulher e colega de farda porque disse não pra ele?", questionou, acrescentando que "para aposentar ele foi rápido, para a minha filha sobrou o caixão e o luto para a família". A mãe, Marinalva Vieira Alves de Santana, também expressou sua indignação: "É muito revoltante ver um assassino desse ser aposentado, é muito triste para nós, revoltante também, um assassino desse se aposentar assim tão rápido".

Detalhes da aposentadoria e posicionamento da PM

A Diretoria de Pessoal da PM publicou nesta quinta-feira (2) uma portaria de inatividade que envia para a reserva o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. O documento afirma que, pela lei, o oficial tem direito à aposentadoria pelos critérios proporcionais de idade, com vencimentos integrais. O pedido foi feito pelo próprio tenente-coronel à corporação. Ele deve continuar recebendo salário, que foi de R$ 28,9 mil brutos em fevereiro, segundo o site da Transparência do governo de São Paulo. Com os critérios de proporcionalidade da idade atual dele, de 53 anos, a aposentadoria deve ficar em torno de R$ 21 mil, conforme cálculos da reportagem.

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A Polícia Militar ressalta que a transferência para a reserva não livra o tenente-coronel do processo que pode levar à sua expulsão da corporação, aberto pela Corregedoria. Segundo fontes consultadas, ele pode perder a patente uma vez aposentado, mas não o direito ao salário conquistado por tempo de serviço. O tenente-coronel está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes desde 18 de março, por decisão da Justiça Militar.

Relembre o caso do feminicídio

A soldado Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde vivia com o marido, no Brás, Zona Leste de São Paulo, em 18 de fevereiro. Inicialmente, o oficial afirmou que ela teria se suicidado. No entanto, a investigação passou a contestar essa versão com base em laudos e elementos colhidos durante a apuração. A Polícia Civil identificou indícios de manipulação de evidências, incluindo mensagens apagadas do celular da vítima minutos após a morte. Também foram relatados à investigação episódios anteriores de agressões contra Gisele dentro do quartel onde ela trabalhava. Colegas da soldado disseram à polícia que o tenente-coronel era controlador e mostrava sinais de ciúmes excessivos. A defesa nega o crime, questiona a competência da Justiça Militar e afirma que o oficial colaborou com as investigações.

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