Nove pessoas são presas em operação policial contra fraude em concursos públicos do TJPE e TCE-PE
A Polícia Civil de Pernambuco realizou uma operação que resultou na prisão de nove pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa especializada em fraudar concursos públicos. Entre os detidos estão três policiais militares e um guarda municipal, conforme detalhado em coletiva de imprensa realizada na quinta-feira (26).
Envolvimento de policial militar na logística do esquema
De acordo com as investigações, um cabo do 20º Batalhão da Polícia Militar de Paulistana, no Piauí, era responsável pela entrega de pontos eletrônicos e celulares adaptados aos clientes da quadrilha. O delegado Júlio César Pinheiro, da 1ª Delegacia de Combate à Corrupção, explicou que "o agente de segurança de outro estado era membro da organização criminosa e responsável pela logística e distribuição de equipamentos eletrônicos".
O coronel Newmarcos Pessoa, corregedor da Polícia Militar do Piauí, informou que o cabo está detido em um presídio militar de Petrolina (PE) aguardando audiência de custódia. A corregedoria da PMPI analisará a documentação da prisão para decidir sobre a abertura de conselho disciplinar. "Se realmente for confirmado a culpabilidade ou o envolvimento dele nesse tipo de crime, independentemente do processo civil que vai correr lá [em Pernambuco], um processo disciplinar vai ser aberto aqui para analisar a permanência ou a expulsão dele da PM", afirmou o coronel.
Modus operandi da quadrilha especializada em fraudes
As investigações revelaram que a organização criminosa atuou especificamente nos certames do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE) e do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), cujas provas foram aplicadas em 2025. A quadrilha oferecia diversos serviços ilícitos aos candidatos:
- Cópias de gabaritos das provas
- "Clones" - pessoas que compareciam no lugar dos candidatos para realizar os exames
- Dispositivos de transmissão eletrônica
- Celulares especialmente adaptados que não eram detectados pelos aparelhos de segurança
Os valores cobrados pelos serviços fraudulentos chegavam a R$ 70 mil, com um sistema de pagamento em duas etapas:
- Uma parte inicial entre R$ 3 mil e R$ 5 mil era transferida antes das provas para custear equipamentos e operações logísticas
- O valor restante era pago quando o candidato era aprovado e assumia o cargo, podendo chegar a 20 vezes o salário inicial da função
Operações policiais e continuidade das investigações
Duas operações realizadas na quarta-feira pela Polícia Civil de Pernambuco resultaram na prisão do líder e de vários membros da quadrilha. Ainda está em investigação a maneira como os clientes acessavam e contratavam os serviços da organização criminosa.
A PCPE não divulgou informações sobre quais outros concursos e estados podem ter sido alvos dos suspeitos, uma vez que as investigações seguem em andamento. As autoridades reforçam o compromisso com o combate à corrupção em processos seletivos públicos e a importância de preservar a lisura dos concursos.



